Tempos houve em que os telemóveis serviam para fazer chamadas e mandar mensagens — muito pequenas, quase telegráficas — e ficavam-se por isso mesmo. O lançamento de um novo modelo não tinha honras de acontecimento internacional, qual reunião do G8, e a tentação de comprar um telemóvel novo era muito menor — vivíamos à base do “enquanto este der”, e “este” dava sempre para vários anos.

Se é verdade que hoje em dia é possível fazer quase tudo com um smartphone, também é verdade que a essência do telefone acabou por se esbater. O ato de fazer uma chamada sucumbiu algures no início da nova década, pelo menos para a nova geração. Agora há Facebook, Twitter, Instagram, Whatsapp, … Tudo no telemóvel.

Antes que o iPhone 6S os venha empurrar ainda mais para o fundo do baú, reuníamos cinco modelos, lançados num espaço de 10 anos, que fizeram as delícias de adolescentes e adultos. Alguns foram o primeiro telemóvel de muitas pessoas e é sabido que, tal como o primeiro amor, ninguém os esquece.

1. Alcatel One Touch Easy

Lançado em 1998, este Alcatel de segunda geração também era conhecido como tijolo — se alguma vez o usou como arma de arremesso, certamente fez estragos – e em Portugal era conhecido por Mimo, por causa da publicidade da TMN. Pesava 160 gramas, tinha uma largura de 25 milímetros e apenas 15 toques diferentes. Quanto ao espaço, só tinha capacidade para cinco chamadas perdidas, cinco chamadas recebidas e cinco números marcados, e só dava para ver três linhas de texto quando se escrevia uma mensagem. No entanto, foi uma aposta ganha por parte da marca porque foi especialmente concebido para atrair o público jovem, quer pelas cores (havia em amarelo, azul, vermelho ou cinzento), quer pela resistência aos “maus tratos”. Além de que podia recorrer a pilhas AAA, caso a bateria acabasse.

2. Nokia 3310

Lançado no ano 2000 — como recordamos aqui –, é um telemóvel de culto. Poucas são as pessoas que não tiveram um, não tivessem sido vendidos 126 milhões de exemplares. Pesava 133 gramas e tinha 22 milímetros de largura. À semelhança do Alcatel One Touch Easy, também existia em diversas cores, mas este tinha uma vantagem: dava para mudar as capas. O 3310 tinha uma série de funções inovadoras para a época, como a calculadora ou os lembretes, para não falar das mensagens de 459 caracteres, três vezes mais do que o tamanho habitual para um sms. Sem esquecer, claro está, os belos dos wallpapers. O seu expoente máximo, no entanto será sempre o jogo Snake — qual Angry Birds, qual Candy Crush? — com incalculáveis horas perdidas e teclas gastas a tentar bater o próprio recorde.

3. Motorola Razr V3

A cara deste telemóvel era Paris Hilton, que aparecia em diversas campanhas da marca e desfilava por Los Angeles com um Motorola cor-de-rosa choque. Talvez tenha sido isso, ou o facto de a seguir à socialite a atriz Kirsten Dunst e as cantoras Jessica Simpson e Gwen Stefani terem adquirido um, mas era um dos favoritos do sexo feminino. Com uma espessura de 13,9 milímetros e um teclado desenhado a laser, durante anos foi o rei da magreza entre os telemóveis. Ao contrário dos dois anteriores, o Motorola Razr V3, lançado em 2004, já tinha câmara, Bluetooth e até mp3. Venderam-se 110 milhões de exemplares.

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4. Nokia 6630

Durante mais de uma década a Nokia dominou o mercado dos telemóveis, por isso é impossível não haver outro modelo da marca nesta lista (e muitos outros poderiam cá estar, do 1110 ao 3210, passando pelo 6600, o 3200 e o N70). Lançado em novembro de 2004, pode não parecer mas o 6630 era já um smartphone. Tinha câmara — podia até gravar vídeos — e vinha equipado com uma novidade: um cartão de memória. Pasme-se: tinha até e-mail. Pouco depois de este telemóvel ser lançado, foi lançada uma outra versão: o Nokia 6630 Music Edition, e desde aí nunca mais faltou música nos transportes públicos.

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5. Samsung F480

Parece um modelo de um Ferrari mas foi mesmo um telemóvel, lançado em maio de 2008, numa altura em que a Samsung era mais modesta e os Galaxy ainda não tinham invadido o mercado (embora os iPhones já). Havia três cores disponíveis: preto (a mais popular), cor-de-rosa e dourado. O ecrã era táctil e o F480 guardava 30 chamadas perdidas, 30 recebidas e 30 efetuadas, o que mostra o quanto evoluíram os telemóveis em 10 anos. Tinha uma memória de 232 MB e ninguém se chateava — atualmente os telemóveis têm, no mínimo, uma memória de 16 gigas e não é suficiente.

https://twitter.com/giorgiofernand5/status/584923494829395970

A produção destes cinco telemóveis foi descontinuada. As memórias de quem os teve não. Foram os responsáveis pelo descalabro de erros ortográficos que toda uma geração dá até hoje (eram poucos os caracteres, havia a necessidade de reduzir as palavras o máximo possível). Puseram milhares de pessoas a exercitar os dedos das mãos como nenhum desporto conseguiu antes. E abriram o caminho para os telemóveis que temos hoje.