Farto daquilo que diz serem as limitações impostas pela Câmara Municipal de Sintra à execução do seu mandato, o vereador independente Marco Almeida decidiu alugar um burro e passear-se com ele na tarde desta segunda-feira pelo centro da vila. O simbólico protesto esteve inicialmente previsto para a última sexta-feira, mas não havia burros disponíveis para alugar.

Marco Almeida queixa-se de que a câmara não tem facultado carros de serviço para as deslocações que ele e outros três vereadores fazem, geralmente a instituições do concelho. Por um lado, o líder do movimento independente “Sintrenses com Marco Almeida” — que elegeu quatro pessoas e ficou muito perto de conquistar a autarquia — lamenta que seja preciso pedir autorização ao gabinete do presidente, Basílio Horta, do PS, sempre que quer usar um carro do município. Por outro lado, o vereador acusa a câmara de não aceder aos pedidos.

“Nos últimos tempos, sempre que fui fazer um pedido, era-me recusado”, explica Marco Almeida. Basílio Horta “sempre teve dificuldade em dar-nos os meios necessários”, lamenta o vereador, que acusa o executivo de “falta de princípios democráticos”. À falta de maioria absoluta nas eleições, o PS coligou-se com o PSD e a CDU, relegando apenas o movimento de Marco Almeida para a oposição, apesar de este ter eleito o mesmo número de vereadores que a lista de Basílio Horta.

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“Uns têm cavalo e cavaleiro e outros nem um burrito têm”, disse o vereador numa recente reunião de câmara. Na semana passada, afirma, viu-se impossibilitado de ir à inauguração da Universidade Sénior de Massamá e Monte Abraão.

Como estou a ficar cansado disto, mandei alugar um burro”, diz Marco Almeida, que esteve esta segunda-feira à tarde em frente aos Paços do Concelho a protestar, montado num burro chamado Alfredo.

“As acusações do vereador Marco Almeida não têm qualquer base factual”, esclarece fonte oficial da Câmara Municipal de Sintra, contactada pelo Observador. A autarquia afirma que “sempre que o grupo do vereador Marco Almeida solicitou uma viatura e motorista para fins de utilidade pública nunca lhe foi negado, desde que se verifique disponibilidade” e dá como exemplo o ano de 2014, em que apenas quatro das 32 requisições terão sido recusadas. “Duas por serem fora do horário de trabalho dos motoristas da autarquia e outras duas por terem sido solicitadas com apenas algumas horas de antecedência”, sublinha.