Feitas as apostas, aqui estão as razões de cada um para a escolha.

CARLOS FIOLHAIS – físico e professor na Universidade de Coimbra

Aposta: 2

“Previsões só no fim do jogo, dizia o futebolista João Pinto, que por ter dito isso pode ser considerado um discípulo do físico dinamarquês Niels Bohr, que disse: ‘É muito difícil fazer previsões, em especial do futuro’. Mas estou em crer que o partido mais votado será o PS, ganhando embora por margem estreita, ao conjunto dos dois partidos que tão mal nos têm governado: o PSD e o CDS-PP. Porquê? Porque uma boa fatia da população – uma clara maioria até – está descontente com a má governação. O que se passou na ciência e tecnologia foi, só para dar um exemplo, verdadeiramente escandaloso, tendo nós assistido à premeditada eliminação de alguns dos melhores num processo desonesto e a desvios de dinheiros públicos para dar a privados que nadam em dinheiro.  Em virtude dessa política de defesa de protecção de interesses particulares em detrimento do bem público, muitos jovens altamente capazes têm sido forçados à emigração. O país, se acaso prosseguir na mesma senda dos últimos anos, continuará a arruinar-se em vez de se aproximar dos padrões europeus. O nosso melhor bem são as pessoas. Quando os melhores vão embora, o país fica mais pobre. Se houver uma política de aposta nas pessoas mais qualificadas e de defesa do conhecimento o país ficará mais rico.”

NILTON – humorista

Aposta: X

“Apostas. Eu acho que serão as primeiras eleições da história com prolongamento porque vão ficar a contar votos até ao dia seguinte. E tal como no futebol, perca quem perder, a culpa será sempre do árbitro.”

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ZÉ PEDRO – músico dos Xutos e Pontapés

Aposta: 2

“Espero e rezo para que a coligação perca, não há direito que depois disto ainda venham ganhar. Não se admite. Estou esperançoso que as pessoas abram os olhos. Torço pela vitória do PS. Que faça muito pela cultura em Portugal, como acho que tem condições para fazer. António Costa é uma pessoa atenta à parte cultural, não só na Câmara mas desde os tempos de Jorge Sampaio. Eu conheci-o depois de um concertos dos Xutos!”

VICENTE ALVES DO Ó – realizador de cinema, argumentista e encenador de teatro

Aposta: X

“Acho que o que vai acontecer é um empate. Não vejo que a diferença seja assinalável entre a coligação e o PS, mesmo com a história das sondagens, de que um cresce e o outro não. Não vejo que alguém vá vencer – e muitos menos ter uma maioria absoluta. E isto coloca-nos, portugueses, num lugar muito, muito difícil. Qualquer dos resultados, vença um, vença o outro ou dê em empate, é sempre uma derrota para o país. O que nós precisávamos era de alguém com uma ideia de futuro. E nenhum deles, nem Passos Coelho e Paulo Portas, nem António Costa, sabe muito bem o que vai fazer no dia a seguir à eleição. Eu ouço-os falar de dinheiro, de despesa, de orçamentos e de buracos e mais buracos nos orçamentos, mas não não lhes ouço uma só ideia de futuro. E isso é aflitivo para mim. Mais do que saber quem vai ganhar e quem vai perder, a ausência de ideias de qualquer deles é que me aflige.
Quando à cultura, essa sempre foi o parente pobre do Estado e dos políticos. É quase um ’embaraço’ o queixume dos artistas, de cinema, de teatro, todos eles. Mas o queixume existe por uma razão. É que em 40 anos de democracia, pouco ou quase nada mudou. Fizeram-se muitas obras públicas, investiu-se no alcatrão das auto-estradas, investiu-se, até, no betão para erguer espaços de cultura, mas desinvestiu-se nos homens que fazem a cultura. A solução que nos dão é cada um de nós, ‘artistas’, safar-se. Mas isso não é uma solução. Fala-se muito da emigração. É verdade. Mas, no caso da cultura, há cada vez mais actores, encenadores, realizadores, escritores, que simplesmente desistem de continuar a ‘safar-se’. A desistirem daquilo que realmente gostam e onde são realmente bons.”

JOÃO MAGUEIJO – físico teórico e professor no Imperial College, em Londres

Aposta: X

“As diferenças estão tão no domínio da modulação que não sei porque é que não fazem uma coligação entre os três (PS, PSD e CDS) e acabava-se este falso suspense (Portugal Atrás soava bem). Mais a sério, parece-me que as responsabilidades pelo estado do país estão muito bem partilhadas entre estes partidos, e a sua atitude face à banca e à UE não é significativamente diferente. Portugal precisa de algo radicalmente diferente do que estes partidos fornecem, cheios como estão de carreiristas políticos mais interessados na sua sobrevivência política do que na saúde do país. Quem vai ganhar? Portugal vai perder. Mas se calhar os portugueses têm o que merecem.”

SARA BARROS LEITÃO – actriz

Aposta: 1

“Eu acho que vai ganhar a coligação. Infelizmente, pois não era nada do que eu queria para o meu país. Se vai ganhar por maioria? Não. E ganhando a coligação, pelo menos na cultura, vai continuar tudo na mesma. É ridículo, absolutamente ridículo, não haver um Ministério da Cultura num país que se quer desenvolvido. É mais do que ridículo: é assustador. A cultura nunca vem em primeiro lugar. Nem em segundo ou terceiro. Simplesmente não vem. Outra reivindicação que eu gostaria de fazer, e isto é igual, quer ganhe a direita da coligação ou a esquerda do PS, é em relação aos recibos verdes na cultura. É insustentável. Nós pagamos 25% de impostos sobre o recibo que passamos, mais a Segurança Social. O que é curioso é que, na Segurança Social, nos é taxado um valor base de acordo com os nossos rendimentos. Só que são os nossos rendimentos de há dois anos. Imagine-se que, há dois anos, eu fiz uma locução para um anúncio de publicidade, e consegui amealhar algum dinheiro. Não muito. Este ano, sendo eu freelancer, não vou, muito provavelmente, voltar a ganhar esse dinheiro — mas vou ter que pagar na mesma. Se eu fizer um trabalho de dobragem e me pagarem 50 euros, vou descontar 25 por cento e pagar, no meu caso, 310 euros de Segurança Social. Pergunto: como é que querem que nó vivamos assim?”

FERNANDO MESQUITA – sexólogo

Aposta: 1

“Principalmente porque acho que as sondagens acabam por influenciar a decisão de voto dos portugueses indecisos.”

CLÁUDIA MORAIS – psicóloga

Aposta: 1

“É curioso como diversos estudos têm demonstrado que os candidatos mais otimistas tendem a ganhar eleições. Apesar de toda a austeridade dos últimos anos, creio que os líderes da coligação tem aproveitado algumas fragilidades dos adversários e “jogado” com isso, acabando por transmitir algumas vezes uma mensagem clara e otimista.”

TONI – treinador de futebol

Aposta: 2

“As minhas opções, a minha cor, é vermelha e verde. É Portugal. O importante é isso, que os interesses de Portugal se sobreponham aos interesses da política. Queria que quem ganhasse tivesse isso em conta. Por tudo aquilo que tem acontecido nos últimos anos, a tendência será a que ganhe o PS. Quem eu queria que ganhasse era Portugal.”

MANUEL JOÃO VIEIRA – artista plástico

Aposta: 1 X 2 – tripla (mas ao contrário)

“Eu já vi quem é que vai ganhar. Vai ser o PAN, com cerca de 43%. A seguir temos o PURP, com 33%, depois temos o Garcia Pereira, com 10%, depois o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista com 5%. O PS vai ter 3% e depois a coligação 0,75%. Votos em branco e nulos são 50%. E se as minhas sondagens derem 150%, é normal, porque as sondagens hoje são mesmo assim. Aliás, PS e Coligação vão ter 0,50% e não vão ter representação. Os portugueses estão fartos de votar ao centro. Acho que as legislativas não interessam para nada, o que interessa é o futebol. O candidato Vieira vai candidatar-se em 2016. Não tenho dinheiro nem partido e preciso de assinaturas. Depois, só me demito se for eleito.”

TIAGO MILHEIRO – wrestler

Aposta: 2

“Muito sinceramente, acho que as pessoas já estão fartas das falsas promessas dos políticos. É por isso que acho que está renhido. Os mais novos, muitas vezes, já não querem votar e começam a ficar de fora. Mas penso que António Costa é bem capaz de ganhar desta vez.”

JOEL NETO – escritor

Aposta: 1

“Talvez demoremos a perceber porquê. Talvez porque, apesar dos erros cometidos, Passos Coelho efectivamente conduziu os portugueses ao resgate do seu país. Talvez apenas porque Portugal permanece rural e miserabilista, e aliás com tendência para a síndrome de Estocolmo. Isso há-de esclarecê-lo a História. Mas uma coisa é já certa: as condições eram demasiado favoráveis à oposição. Vencendo de facto Passos Coelho, creio que devemos celebrar o facto de o nosso destino comum não cair nas mãos daqueles que foram capazes de perder as eleições mais fáceis de sempre.”

MANUELA MOURA GUEDES – jornalista

Aposta: 1

“Vou arriscar com base nas sondagens , embora isto das sondagens não me inspire muita confiança nos últimos anos. Mas está a ser uma tendência.”

ISALTINO MORAIS – ex-autarca

Aposta: 2

“Não me surpreenderia se, ao contrário do que dizem as sondagens, o PS acabasse por ganhar por pouco. A coligação tem feito uma campanha excelente, já desde a saída da troika, mas acho que o número de indecisos é muito elevado, de acordo com as sondagens, e pode haver mais voto de descontentamento do que se está a prever.”

MARGARITA CORREIA, lexicóloga

Aposta: 2

“Penso que vai ganhar António Costa. Até porque não acredito que o povo português seja tão estúpido ao ponto de eleger Passos Coelho outra vez. Não acredito minimamente nas sondagens porque, das duas uma, ou são gritos de desespero ou servem para os indecisos votarem na coligação.”

BÁRBARA BULHOSA – diretora da editora Tinta da China

Aposta: 1

“Era muito bom que os abstencionistas fossem todos votar no PS, mas acho que infelizmente quem vai ganhar é a coligação.”

JOSÉ MANUEL SILVA – bastonário da Ordem dos Médicos

Aposta: 1

“Aparentemente, quem irá vencer, olhando para as sondagens, será a coligação, sem maioria absoluta”

FERNANDA FREITAS – apresentadora

Aposta: 1

“Porque acho que quem está desmotivado não vai votar mais uma vez. Aliás, quem vai vencer mesmo é a abstenção. Acho que as pessoas estão demasiado desmotivadas e não percebem a utilidade do seu voto. As pessoas que querem mudanças às vezes são as que ficam mais numa inércia. As que vão votar são aquelas que querem que fique tudo como está.”

JOSÉ COSTA PINTO – presidente da Associação Nacional de Jovens Advogados Portugueses

Aposta: X

“Penso que vá haver um empate, mas se houvesse a opção ‘está tudo em aberto’, era essa que escolhia. Acho que só se saberá a tendência no final, porque ainda não se sabe como é que vão correr os últimos dias de campanha.”

NUNO BORGES- professor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação

Aposta: 1

“Acho que vai ganhar a PàF, mas sem maioria absoluta. Pelas sondagens, claro, que apontam todas nesse sentido, mas também pela minha própria percepção (certamente limitada, claro).”

ANTÓNIO JÁCOMO – investigador da Universidade Católica Portuguesa na área da Bioética

Aposta: 1

“Considero que a coligação ganhará as eleições do próximo domingo. O problema será a viabilidade de um governo de minoria. Nesse caso, o PS estará em vantagem na formação de um governo no qual o Bloco possa ter um papel essencial. Neste cenário, o governo que irá resultar será uma estranha forma de refletir a vontade dos portugueses nas urnas. Apesar disso, a atual conjuntura não irá tornar possível uma mudança estrutural em Portugal.”

David Santos / Noiserv – músico

Aposta: 1

“Sempre imaginei que fosse o PS, porque um governo que sofre tanta contestação acaba por cair nas eleições seguintes. Mas as sondagens dizem o contrário, por isso estou na dúvida. Quero acreditar que este não é o caminho. É esperar por domingo!”

Rita Nabeiro – empresária

Aposta: X

“Acho que está renhido e, apesar das sondagens indicarem vitória da coligação, aposto num empate.”