Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, expôs no Twitter porque motivo aquele que é considerado o maior evento de empreendedorismo e tecnologia da Europa saiu da terra natal, Dublin. São 36 páginas com trocas de emails com membros do governo, onde Paddy escreve várias vezes que quer “um plano básico” para que a cidade possa acolher o evento em 2016.

“Medidas de controle de trânsito, aumento da frequência de transportes públicos, hotéis e internet de banda-larga”. As respostas tardias e uma explicação”enganosa” como chega a escrever o fundador levaram-no a optar por outra cidade rival. Neste caso, Lisboa.

A troca de emails com Nick Reddy, do gabinete do primeiro-ministro irlandês, começa a 21 de agosto de 2015. com uma exposição das ofertas dos outros países para a organização do evento em 2016, mas com a referência explícita de que a “preferência absoluta é ficar na Irlanda”.

Três dias depois, novo email, onde Paddy sublinha que quer que a Web Summit permaneça na capital irlandesa, mas que tal não será possível sem que haja apoio do Estado – visto a dimensão do evento. E onde reafirma que a decisão final sobre a Web Summit 2016 será anunciada a 23 de setembro.

“Sem um plano de gestão do trânsito que seja claro, por exemplo, a Web Summit torna-se muito grande em 2016. Sem que haja uma proposta clara do município e do governo, algo que andamos a pedir repetidamente há cerca de dois anos, não teremos outra hipótese que não seja mudar o evento para uma cidade que o tenha”, escreveu Paddy.

Sem resposta concreta, a 1 de setembro, o fundador da Web Summit volta a pedir um “plano básico” para que o evento continue a decorrer em Dublin. “Não queremos dinheiro nenhum”, escreve. “Precisamos do vosso compromisso”, acrescenta. E o compromisso requer um plano de controle de trânsito adequado, um plano para aumentar a frequência de transportes públicos, um plano que permita que os hotéis não manipume tanto os preços e uma melhor solução de internet de banda larga.

A resposta de Nick Reddy a 3 de setembro: “Paddy, de momento estou em França, numa missão comercial. Já entro em contacto contigo.”

Os reforços de Paddy continuam, que denuncia que “o governo britânico tem estado mais ativo na Web Summit do que o irlandês” e que está claramente desanimado por estarem a ser, literalmente, obrigados a sair da Irlanda deviso à ausência de coisas muito básicas”. A resposta do gabinete do primeiro-ministro chega uma semana depois.

“O primeiro-ministro compromete-se a assegurar que todos os organismos dos setores públicos trabalhem com celeridade para desenvolver um plano para 2016, que terá em conta a experiência do evento em 2015, em termos de preparação e da forma como vai decorrer o evento. O melhor será usar a experiência deste ano para, depois, podermos trabalhar num plano detalhado para 2016”, lê-se.

A troca de emails continua até que John Callinan, também do gabinete do primeiro-ministro, a 22 de setembro, refere que ” fazia mais sentido focarem-se em 2015 o máximo que puderem antes de começarem a planear a edição de 2016″. Em anexo, coloca um documento com sugestões para discussão futura.

No mesmo dia, Paddy responde que a resposta foi “deliberadamente enganadora, na sua opinião”, e que teriam de tomar uma decisão no dia seguinte, ainda que o governo não lhes tenha enviado o plano que queriam.

“Lamento estar a insistir, mas parece mesmo uma situação muito bizarra que não tenha havido nenhuma tentativa do governo para falar connosco, encontrar-se connosco ou pelo menos abordar estes assuntos. Quando, ao mesmo temo, conseguimos reunir, discutir e falar sobre estes problemas com sucesso com outros governos da Europa”, escreveu Paddy.

No dia seguinte, Paddy Cosgrave esteve em Lisboa a assinar o contrato que traz a Web Summit para a capital portuguesa em 2016, 2017 e 2018. A 24 de setembro, chega a resposta de John Callinan, em que se mostra “naturalmente desapontado com a decisão de levar o evento para Lisboa no próximo ano”.