No número 7 da Rua de São Cristóvão, em Lisboa, costumavam alimentar-se barrigas. A partir de agora, é a alma do freguês que sai satisfeita. A portuense Ó! Galeria escolheu as instalações de um antigo minimercado para mostrar pela primeira vez na capital trabalhos de ilustradores como Mariana a Miserável, Maria Herreros, Daniel Moreira, Hélia Aluai, Emmanuel Kerner, Mariana Rio e Júlio Dolbeth. A loja pop-up tem uma esperança de vida de três meses, que se pode prolongar caso a experiência corra bem. A inauguração acontece esta sexta-feira, às 19h00.

Tudo começou no Centro Comercial Bombarda, no quarteirão das artes do Porto. O sucesso levou a Ó! Galeria a mudar-se para um espaço próprio ali bem perto e, mais tarde, a fazer uma experiencia pop-up em Braga, na GNRation. Em termos comerciais não correu bem, explica a fundadora, Ema Sara Ribeiro, ao Observador. Mas as expectativas agora são outras.

Lisboa sempre foi um objetivo. Não sabia quando seria possível mas tinha esperança que acontecesse este ano”, diz, recordando os inúmeros pedidos de clientes para que a Ó! Galeria se estendesse a sul. A oportunidade surgiu na Mouraria, num pequeno espaço outrora ocupado por um minimercado. A falta de obras não foi impedimento. “Achei perfeito. Na semana seguinte estava de malas e bagagens com parte da Ó! cá em baixo. Trouxe também o projeto que tenho em parceria com a Tina Siuda, a nham nham!“, diz.

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Ema Sara Ribeiro mudou-se para Lisboa para acompanhar de perto o nascimento do novo espaço. © MICHAEL M. MATIAS /OBSERVADOR

Depois das limpezas e da montagem das obras sobre as paredes descascadas de tinta, as portas abriram-se de fininho, com trabalhos de quase 70 ilustradores. Esta sexta-feira, a partir das 19h00, faz-se a inauguração oficial, com jeropiga para brindar e a primeira fanzine da Ó! Edições para mostrar.

Todas as sextas haverá exposições “flash”, pequenas e rápidas que apresentam novos ilustradores que estão a entrar na galeria e novos trabalhos desenvolvidos por alguns ilustradores da casa. A ideia é ficar até ao final de janeiro, mas Ema Sara Ribeiro admite que o objetivo é deixar de ser pop-up. “Sim, se correr bem vou tentar arranjar um espaço para ficar permanentemente”.