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A operação em Saint-Denis: como tudo aconteceu

Este artigo tem mais de 5 anos

Drones, robôs, câmaras e portas blindadas. O diretor da unidade de operações táticas da polícia francesa e o procurador de Paris explicam como tudo se passou.

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A ação policial em Saint-Denis durou sete horas e resultou na morte de duas pessoas e em oito detenções

AFP/Getty Images

A ação policial em Saint-Denis durou sete horas e resultou na morte de duas pessoas e em oito detenções

AFP/Getty Images

Jean-Michel Fauvergue, diretor da Raid (unidade de operações táticas da polícia francesa), explicou esta quarta-feira como aconteceu a operação passo a passo no apartamento no bairro Saint-Denis, em entrevista ao jornal Le Figaro. A ação resultou na morte de duas pessoas e em oito detenções.

O Observador lista a seguir os principais passos:

– A operação durou sete horas e começou às 4h16. 

– Cinco homens da unidade policial ficaram feridos por balas.

Inicialmente as autoridades foram informadas de que havia três pessoas no interior do apartamento, num 3º andar, entre as quais uma mulher e dois homens radicados em França.

A polícia sabia que a mulher estava a usar um colete com explosivos e que todos estavam armados com Kalashnikovs.

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– Os serviços secretos teriam dito à polícia que Abdelhamid Abaaoud, o cérebro dos atentados de dia 13, estaria presente no apartamento.

– “A polícia decidiu abrir a porta do apartamento com explosivos, porque geralmente é eficaz e surpreende as pessoas no interior”, conta Fauvergue. A ação, no entanto, não funcionou por completo. “A porta era blindada e não abriu bem”, explica, confessando que a polícia falhou o efeito-surpresa que esperava.

– Os terroristas rapidamente colocaram uma espécie de escudo pesado com rodas por trás da porta para evitar o arrombamento e para criar uma caixa de ar para se protegerem da explosão.

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– Em seguida, iniciou-se o tiroteio, que durou entre 30 e 45 minutos. Centenas de tiros foram trocados, intercalados entre períodos de maior e menor intensidade. Algumas granadas também foram lançadas. 

– Após um momento de silêncio, a unidade enviou uma cadela chamada Diesel para fazer o reconhecimento da área, mas esta foi morta na ação.

– A polícia pôs seis atiradores nos edifícios localizados em frente ao apartamento. Um dos polícias viu um dos terrorista e pediu para que levantasse a mão. Como o terrorista não respondeu, disparou e iniciou-se outro tiroteio.

A mulher lançou uma grande rajada de tiros e, em seguida, fez-se explodir com o objetivo atingir os polícias. “Janelas, do lado da rua, voam aos pedaços. Um pedaço do corpo, um pedaço da coluna vertebral, caiu sobre um dos nossos carros”, descreveu o agente.

– Apesar de a explosão não ter atingido a unidade policial, as paredes do prédio fragilizaram-se, mas não caíram.

– Os tiros continuaram, desta vez dentro do edifício. Uma das Kalachnikov silenciara-se, quando a polícia decidiu lançar cerca de vinte granadas com 40 gramas de explosivo. Em seguida, a unidade decidiu avançar progressivamente em direção à entrada do apartamento.

– Inicialmente foi enviado um drone para olhar através das janelas e clarabóias, mas não foi possível obter imagens. Depois, foram utilizados dois robôs, que não conseguiram desbloquear os escombros.

– A polícia viu que havia buracos no chão, quando tiveram a ideia de passar uma espécie de cabo com câmaras pelo teto do apartamento localizado imediatamente abaixo, no segundo andar. A unidade viu então um cadáver não identificado, pendurando entre o segundo e o terceiro andar, com ferimentos provocados por granadas.

– A polícia decidiu, desta maneira, abandonar o terceiro andar. Durante o movimento, foram detidas algumas pessoas que estavam escondidas no andar.

– A Brigades de Recherche et d’Intervention ajudou no fim da operação com reforços na verificação de outros edifícios próximos ao local. Ao total, participaram em campo 110 agentes da polícia, dos quais 70 pertenciam ao Raid.

O que disse o procurador de Paris

A entrevista de Jean-Michel Fauvergue foi antecedida por uma conferência de imprensa realizada esta tarde pelo procurador de Paris, François Molins na qual deu uma visão geral da operação policial.

O procurador parisiense foi cauteloso ao confirmar o número total de mortos no apartamento. “Neste momento, não estou em posição de dar um número preciso e definitivo das pessoas que morreram, nem as suas identidades, mas há pelo menos duas pessoas mortas”, afirmou. Esta declaração não confirma nem desmente a informação divulgada esta quarta-feira pelo jornal norte-americano Washington Post, que relata a partir de duas fontes dos serviços de informação europeus que Abdelhamid Abaaoud, líder dos ataques a Paris, teria sido morto durante o assalto ao apartamento no bairro de Saint-Denis.

Outros pontos principais da conferência de Molins:

– As autoridades francesas ainda não conseguiram identificar as duas pessoas mortas na operação nem os oito detidos durante a ação, estando pendentes de uma investigação forense.

– Entre os detidos, encontravam-se sete homens e uma mulher: dois encontrados nos escombros, quatro no prédio e um homem e uma mulher na rua, que teriam deixado os terroristas usarem o seu apartamento.

– O procurador, no entanto, confirma que nenhum deles é Abdel-Hamid Abu Oud ou Saleh Abdelsalam.

Mais de 5 mil balas foram disparadas durante o tiroteio entre a unidade policial e os terroristas em Saint-Denis.

A polícia encontrou no apartamento em Saint-Denis “um verdadeiro arsenal de guerra”, incluindo fuzis de assalto Kalashnikov e cintos de explosivos.

– Molins explicou que a polícia chegou ao apartamento graças ao testemunho de alguém que teria dito que Abu Oud estaria em território francês.

– Antes da operação, as autoridades vigiaram “cuidadosamente” a área.

– O procurador afirmou que as autoridades descobriram uma segunda célula terrorista após os ataques de sexta-feira, que estava “pronta para agir”, mas que foi neutralizada.

– Ele informou que o veículo preto modelo Seat encontrado em Montreuil “foi usado por três homens que dispararam contra os terraços de bares e restaurantes como pôde ser comprovado através do estudo do GPS do carro”. “Também descobrimos três Kalashnikovs e impressões digitais de Abdelslam [no veículo]. Foram encontrados cinco cartuchos [de armas] e uma faca”, continua.

– Molins disse ainda que a polícia descobriu um telemóvel numa lata de lixo atrás do Bataclan, em que havia a mensagem “Estamos fora e estamos a começar”. Os investigadores, no entanto, ainda estão a tentar determinar o destinatário do texto.

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