Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O abate de um avião russo pelas forças turcas, e as polémicas que se seguiram, podia ser uma demonstração quase perfeita da complexidade do conflito sírio. As versões sobre o resgate do piloto sobrevivente sucedem-se e todas são diferentes.

Tudo começou quando os pilotos do avião russo se ejetaram e começaram a planar em paraquedas. Um deles foi abatido no ar por rebeldes sírios, os turcomanos, aliados do presidente turco que lutam contra o regime de Assad. O copiloto caiu sob a linha da frente do conflito na zona montanhosa junto à fronteira com a Turquia. O vento, conta o El Confidencial, empurrou o paraquedas de Konstantin Murakthin para as proximidades das posições do exército do regime sírio, aliado da Rússia. Devido à caótica situação nesta região, o russo escondeu-se no terreno e esperou 12 horas até que as forças sírias conseguiram resgatá-lo.

Mas há muito mais para contar. Um dos helicópteros com a missão de resgatar o piloto foi atingido por um míssil terra-ar de origem americana e que faz parte do armamento das milícias rebeldes, obrigando-o a realizar uma aterragem de emergência. Um porta-voz de uma fração rebelde presente na zona chegou até a afirmar à Associated Press que a situação parecia “um filme de James Bond”. Mas depois começaram a surgir as versões discordantes.

Alguns meios de comunicação começaram a noticiar que o militar russo foi localizado por forças especiais sírias em coordenação com o Hezbollah. Outros diziam diziam que tinha sido o exército de Assad, juntamente com forças russas, que lançaram uma operação, à noite, onde entraram numa área sob controlo dos rebeldes resgatando Konstantin Murakthin. Mas esta versão é desmentida pelos próprios rebeldes. A Frente Islâmica, grupo ativo no conflito, aliado do Exército Livre da Síria opositor ao regime, afirma que o vento empurrou, de facto, o piloto mas para uma zona montanhosa e com bosques densos, impossibilitando a sua captura por qualquer milícia armada colocada nas proximidades.

Por último, o Observatório sírio dos Direitos Humanos, sediado em Londres, acrescentou mais uma versão do acontecimento. Segundo esta organização, Murakthin aterrou numa terra de ninguém, embora atrás das linhas rebeldes. Para além disto, refere que foram militares sírios que conseguiram chegar até ele, guiados por tropas russas que localizaram o russo através do sistema GPS. Citado pelo El Confidencial, o diretor do Observatório afirmou que “os sírios lutaram durante horas para levar o piloto para uma zona segura”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR