Os futuros do Brent, petróleo do Mar do Norte, caíram abaixo da barreira dos 40 dólares esta terça-feira, pela primeira vez em quase sete anos. É ainda a reação à decisão da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo) da semana passada de abandonar o limite à produção petrolífera.

Os dados sobre o abrandamento da economia chinesa também arrastaram as matérias-primas. O Brent chegou a negociar nos 39,81 dólares, o que não acontecia desde fevereiro de 2009, ano de recessão global, recuperando no final da sessão para encerrar nos 40,30 dólares por barril. Em Nova Iorque, o crude chegou a negociar abaixo dos 37 dólares por barril.

Alguns analistas ainda estimam que a cotação média do petróleo se fixe nos 51 dólares por barril no primeiro trimestre de 2016, mas há sinais crescentes de que a oferta irá empurrar os preços ainda mais para baixo. O Irão planeia reforçar a sua produção em cerca de 500 mil barris diários e nos Estados Unidos os stocks continuam a níveis recorde. O tempo ameno no hemisfério Norte também não está a ajudar, provocando uma queda no consumo de gasóleo para aquecimento.

A retoma nos preços não parece estar ao virar da esquina. Os analistas e bancos de investimento têm vindo a rever em baixa as previsões de preço, uma tendência que provavelmente se irá manter, admite Abhishek Deshpande, do Natixis em London, que avança com a estimativa de 41 dólares para os primeiros três meses de 2016. “Ainda é cedo para dizer que os preços bateram no fundo”, diz à agência Bloomberg.