O Banif confirmou que “está envolvido num processo formal e estruturado tendente à seleção de um investidor estratégico” que compre a posição de 60% do Estado português.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco liderado por Jorge Tomé vem esclarecer também, face às notícias divulgadas na comunicação social e “que estarão na origem da elevada volatilidade que as suas ações têm registado”, que até à presente data “tem em curso um processo de venda estruturada de ativos ‘real estate’ (imobiliário) e ‘non performing loans’ (empréstimos que não geram capital), integrado no seu plano de reestruturação”.

O Jornal de Negócios noticiou que o Banif já iniciara o processo de venda de 60% da posição do Estado no seu capital. De acordo com o Jornal de Negócios, os potenciais interessados estão a ter acesso a informação detalhada e a apresentações da gestão. O jornal económico referia ainda que a operação está a ser realizada pelo banco de investimento espanhol N+1 e que a data para entrega das ofertas “já estará definida”, devendo ter lugar ainda em dezembro.

Em breve serão chamados a fazer ofertas únicas e vinculativas para a compra de 60% da posição detida pelo Estado no capital do banco que recebeu uma ajuda pública de 1100 milhões de euros que está a ser investigada pela Comissão Europeia. Bruxelas receia que o banco não consiga devolver os apoios públicos recebidos em 2013. O banco liderado por Jorge Tomé vai procurar sinalizar a compra de pelo menos uma parte da posição do Estado até ao final do ano, antes que entrem em vigor as novas regras de resolução bancária, segundo as quais os grandes depositantes podem vir a ser chamados a assumir uma parte dos custos de resolução.

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No seu comunicado, o Banif acrescenta que “não tem conhecimento de qualquer decisão da Direção Geral de Concorrência da Comissão Europeia referente ao procedimento formal de investigação atualmente em curso, em que é parte o Estado Português na sequência do investimento público realizado no Banif, o qual, de acordo com os prazos legais aplicáveis, deverá ainda encontrar-se em fase de consulta pública”. O Conselho de Administração do Banif reafirma que continua a implementar as medidas “de reorganização societária e de reestruturação operacional previstas no Plano de Reestruturação apresentado às autoridades nacionais e comunitárias”.

Recorde-se que o Banif recebeu em janeiro de 2013 cerca de 1.100 milhões de euros do Estado, dos quais 700 milhões através de um aumento de capital e 400 milhões em instrumentos de capital contingente, os chamados ‘CoCos’.

Até ao momento, o banco reembolsou 275 milhões de euros dos ‘CoCos’ mas, com atraso significativo, ainda não pagou a última tranche de 125 milhões.

A Comissão Europeia produziu recentemente um documento que refere ter “as maiores dúvidas” que o banco liderado por Jorge Tomé consiga pagar ao Estado os 700 milhões de euros convertidos em ações.