Nuno Melo ainda não decidiu se avança ou não para a liderança do CDS. Mas uma coisa é certa. Se for candidato à sucessão no próximo congresso irá trocar o lugar de eurodeputado pelo de deputado à Assembleia da República.

Estar em Bruxelas é considerado um handicap, que pode ser facilmente resolvido. Melo, que é eurodeputado desde 2009, foi suplente na lista de candidatos a deputados da coligação Portugal à Frente no círculo eleitoral de Braga. Neste círculo, o CDS conseguiu eleger duas pessoas: Telmo Correia e Vânia Dias da Silva. Para que Melo possa entrar, a ex-secretária de Estado teria que renunciar ao lugar, bem como os dois candidatos seguintes do CDS que ocupavam a 14ª e a 19ª posição na lista da coligação (Otília Gomes e José Manuel Oliveira).

O último líder do CDS que desempenhou essas funções sem estar no Parlamento foi José Ribeiro e Castro, entre 2005 e 2007, e não correu bem. Entre os centristas a opinião é praticamente unânime: o líder tem que estar em S. Bento. Portas, aliás, quando anunciou que não se recandidatava a novo mandato disse logo que deixava o lugar de deputado – para não fazer sombra ao futuro líder, como veio explicar António Pires de Lima.

Antes disso, Manuel Monteiro também esteve fora de S. Bento, entre 1992 e 1995, ou seja, quando foi eleito não era deputado e foi candidato nas primeiras eleições legislativas que se realizaram. Diogo Freitas do Amaral, nos anos 80, também não foi deputado. Nessa altura, porém, não havia o ritmo de um debate parlamentar com o primeiro-ministro de 15 em 15 dias. “Costa perdeu as eleições legislativas porque durante cerca de um ano não teve o palco da Assembleia da República”, considera em declarações ao Observador fonte do CDS.

Depois do anúncio da não recandidatura de Portas, perfilam-se vários candidatos à sua sucessão. A ala portista pode dividir-se em dois blocos: os apoiantes da ex-ministra da Agricultura, Assunção Cristas, e os que a consideram uma cristã nova e poderão apoiar o eurodeputado Nuno Melo. Há ainda o Movimento Alternativa e Responsabilidade, que poderá repetir de novo a candidatura de Filipe Anacoreta Correia.

No final do ano, Nuno Melo agradeceu no Facebook os incentivos que tem recebido. “Têm sido muitas as mensagens de incentivo e apoio recebidas nos últimos dias, a propósito do momento que se vive no CDS. Independentemente daquela que venha a ser a minha decisão, quero que saibam que me sinto profundamente grato e honrado”, disse.

Esta segunda-feira, o Expresso noticiou que Luís Pedro Mota Soares, ex-ministro da Segurança Social, já comunicou aos mais próximos que não tenciona, de modo algum, candidatar-se à sucessão de Portas.