A tempestade tropical Alex, que se formou no oceano Atlântico, passou a furacão de categoria 1 – o primeiro nível da escala, para ventos entre 119 e 153 quilómetros por hora (km/h). O arquipélago, em especial as ilhas do grupo central, será atingido pelos ventos fortes, mas também por chuvas intensas e ondas que podem chegar aos 18 metros, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Uma tempestade com esta origem é inesperada para esta altura do ano.

Uma tempestade tropical atlântica forma-se, normalmente, no final do verão ao largo da costa ocidental de África. E requer dois requisitos principais: águas quentes à superfície e ventos horizontais fracos ou inexistentes – porque ventos horizontais fortes não permitiriam a formação dos remoinhos na atmosfera. Mas não estamos no verão, nem a tempestade se formou nos trópicos – corretamente até deveria ser chamada de tempestade subtropical.

Tudo começou com uma depressão normal, para esta altura do ano, a leste dos Estados Unidos, explicou ao Observador Paula Leitão, meteorologista no IPMA. As depressões são regiões da atmosfera com baixa pressão e apresentam-se como remoinhos. Estes remoinhos viajam na atmosfera e neste caso viajou para sul e depois para norte até encontrar uma massa de água quente.

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Furacões, tufões ou ciclones tropicais, são todos a mesma coisa – ventos rotativos em turbilhão na atmosfera. Estes, têm em comum os vários quilómetros de diâmetro e formarem-se nos trópicos, mas cada um no seu oceano – Atlântico, Pacífico e Índico, respetivamente.

Lembramos que a água quente à superfície alimenta as tempestades tropicais (e, neste caso, também as subtropicais): quando a água se evapora formam-se ventos ascendentes, provocando ventos verticais fortes. O ar húmido arrefece à medida que vai subindo e vapor de água condensa formando nuvens. Quando a água passa do estado gasoso ao estado líquido liberta uma enorme quantidade de energia que acaba por funcionar como “combustível para o furacão”, explicou ao Observador Alfredo Rocha, investigador no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, quando o furacão Fred atingiu Cabo Verde em setembro.

As tempestades tropicais e mesmo os furacões perdem a força quando encontram um continente ou quanto entram em águas mais frias, mas a tempestade Alex parece ter encontrado condições ideais para se continuar a desenvolver. O centro de furacões norte-americano (NHC, na sigla em inglês para National Hurricane Center), localizado em Miami, é responsável por vigiar as tempestades que se formam no Atlântico. Esta quinta-feira, o centro classificou Alex como furacão.

O IPMA informa que a tempestade deverá chegar às ilhas a partir das 23 horas de dia 14, devendo atingir o máximo de intensidade entre as 5 horas e as 13 horas de sexta-feira.

Segundo o NHC, da agência de meteorologia norte-americana (NOAA, na sigla em inglês para National Oceanic and Atmospheric Administration), foi lançado um aviso de furacão para as ilhas do grupo central – Faial, Pico, São Jorge, Graciosa e Terceira – e de tempestade tropical para o grupo oriental – São Miguel e Santa Maria. Quando estiver a norte do arquipélago, depois de passar os 40 graus norte de latitude, a tempestade estará mais fraca porque vai encontrar ar mais frio, explicou Paula Leitão.

Os alertas do NHC e do IPMA incluem:

  • Ventos fortes e até 30% mais fortes no topo das montanhas e nas encostas viradas ao vento, do que à superfície, com rajadas até 130 km/h no grupo oriental e até 170 km/h no grupo central;
  • Chuvas intensas com risco para as populações pela formação de cheias e deslizamentos de terras;
  • Maré de tempestade com inundações costeiras e ondas com potencial de destruição. A agitação marítima será forte e poderá ter ondas de leste/sueste de seis a oito metros no grupo oriental e de 10 a 12 metros do grupo central. A onda máxima pode atingir os 18 metros.

O NHC continuará a fazer a revisão da situação a cada seis horas e a emitir novos avisos.