O ex-presidente da Costa do Marfim Laurent Gbagbo torna-se esta quinta-feira o primeiro ex-chefe de Estado a ser julgado no Tribunal Penal Internacional, cinco anos após desencadear uma instabilidade política que causou 3.000 mortos.

A sua comparência em Haia é o culminar de agitação que assolou a nação africana quando Laurent Gbagbo se recusou a deixar o cargo, apesar de ter perdido as eleições de novembro de 2010 para Alassane Ouattara, seu rival de longa data.

A mulher de Laurent Gbagbo foi condenada a 20 anos de prisão em 2015, num julgamento em Abidjan, pelo seu papel nos acontecimentos e, agora, o ex-Presidente da Costa do Marfim enfrenta – tal como o seu aliado Charles Ble Goude – quatro acusações de crimes contra a Humanidade, devido ao plano de estender o seu mandato por 10 anos através de uma campanha brutal de assassinatos e violações.

Os procuradores alegam que, com a polícia, o exército e jovens apoiantes organizados na milícia “Jovens Patriotas”, Gbagbo e os membros do seu círculo íntimo, como Ble Goude, lutaram para permanecer no poder.

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Os que morreram ou ficaram feridos foram “vítimas de ataques por parte de forças públicas ou grupos organizados, que atuavam sob o controlo de uma certa hierarquia” sustenta Richard Nsanzabaganwa, do gabinete da procuradoria do TPI.

Durante o julgamento, os procuradores tencionam apresentar 5.300 elementos de prova, incluindo vídeos, bem como 138 testemunhas.