50%/50%. Será assim dividido o controlo acionista da TAP que o Governo vai anunciar esta manhã de sábado, segundo apurou o Observador. 50% para o Estado e 50% para o consórcio Gateway, de David Neeleman e Humberto Pedrosa, que, no entanto, poderá ser reduzida para 45% por causa dos 5% do capital a que os trabalhadores têm direito. Quem manda? Haverá um conselho de administração paritário, com um chairman nomeado pelo Governo, que passará a ter voto de qualidade. Mas esse voto terá avaliação prévia do comité executivo, e esse manter-se-á privado. Ou seja, a gestão da companhia área manter-se-á nas mãos da Atlantic Gateway.

O Governo — que terá pago, segundo o Expresso, 1,9 milhões de euros para retirar a maioria a Neeleman e Pedrosa (tinham 61%) vai anunciar este sábado de manhã o acordo com os acionistas privados da TAP, um evento que contará com a presença do primeiro-ministro, António Costa e do ministro das Finanças Mário Centeno, além do ministro da tutela, o Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques. Ou seja, uma cerimónia com pompa e circunstância no ministério, com o próprio primeiro-ministro, que esta sexta-feira, quando Centeno apresentava o Orçamento do Estado, estava na Alemanha, onde se encontrou com Angela Merkel.

Depois de algumas semanas de negociações, o Estado acabou por abdicar de recuperar a maioria do capital da companhia, o que implicaria ter pelo menos 51%, e aceitou ficar só com 50% do capital. Esta tinha sido uma das bandeiras da campanha de António Costa, mas sempre com a ressalva de isso não ter custos incomportáveis para o Estado. Aliás, foi o próprio primeiro-ministro que disse que ia conseguir os 51%, “se não for com o acordo, é sem o acordo”, disse na altura.

Resta saber como vão reagir o Bloco de Esquerda e o PCP, que sempre reivindicaram o controlo público da companhia aérea, e que deram o apoio ao Governo do PS com essa perspetiva. A TAP maioritariamente pública, contudo, não está nos acordos assinados com os dois partidos, mas está no programa do Governo.

Os investidores privados, David Neeleman e Humberto Pedrosa, reduzem a sua participação, que atualmente é de 61% para outros 50%, mas mantêm a gestão da companhia, que continuará, assim, privada.

O acordo obtido assegura ainda a concretização do plano de investimentos anunciado pelos acionistas privados e que prevê a compra de 53 novos aviões e a renovação da frota da Portugália.