A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos afirma que faltam camas de cuidados intensivos na região Centro, onde também são poucos os médicos intensivistas.

A zona Centro do país dispõe “apenas de 75 camas de cuidados intensivos”, mas, de acordo com os dados recolhidos pela Ordem dos Médicos (OM), são necessárias 103 camas, afirma uma nota da Secção Regional do Centro (SRC) daquela associação profissional, hoje divulgada.

“Mais grave” é o facto de existirem “31 médicos intensivistas titulados para 75 camas”, quando “são necessários, no total, 65 médicos intensivistas”, sustenta a Ordem.

Nesta área do país também faltam camas de cuidados intermédios (nível II), circunstância que “gera desigualdades gritantes em relação às outras regiões” do país, sublinha a SRC da Ordem dos Médicos, defendendo a gestão conjunta destas e das camas de cuidados intensivos, o que permitiria “ganhos evidentes” na gestão clínica e de recursos humanos e redução de custos.

“Tem havido um total desprezo, nos últimos anos, em relação aos doentes mais críticos”, afirma Carlos Cortes, presidente da SRC da OM, adiantando que tem recebido, “com enorme preocupação”, muitas queixas em relação às dificuldades prementes da medicina intensiva na região Centro.

Para Carlos Cortes, “a existência de poucas camas e poucos profissionais nos cuidados intensivos demonstra a irresponsabilidade, nos últimos anos, pelos doentes que enfrentam as situações mais agudas e graves”.

Esta especialidade é “crucial para a prestação de cuidados de saúde aos doentes em estado crítico”, adverte o dirigente da OM, citado na mesma nota.

Na região Centro, só o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra é “referenciação neurocrítica e total para todos os hospitais” deste território.

“Este é um sinal grave”, pois “a rede de referenciação deve pugnar para que todos os cidadãos sejam tratados de forma equitativa, independentemente da localização geográfica e unidade de saúde”, defende o presidente da SRC da OM.

“Para além da carência significativa de camas, há ainda os constrangimentos da falta de recursos humanos”, salienta Carlos Cortes, alertando para a necessidade “urgente [de] formar intensivistas na região Centro”.