“Infelizmente, este Orçamento não pode responder a todos e a sua insatisfação é a minha insatisfação”. Foi assim que António Costa respondeu a Catarina Martins, que dá o sim ao Orçamento do Estado para 2016, tal como o PCP, embora considere que, em muitos aspetos, fica aquém do desejável. Mas o primeiro-ministro deu alguns sinais de abertura para a discussão na especialidade.

Os partidos de esquerda provocaram Costa e obtiveram alguns sinais. Catarina Martins foi a mais direta. Defendeu o alargamento da tarifa social de eletricidade e perguntou diretamente ao primeiro-ministro se concordava. “Perfeitamente aceitável”, respondeu Costa, até porque “não terá impacto orçamental negativo”. A ideia é que sejam as empresas de eletricidade a receber menos das famílias mais carenciadas e não o Estado a pagar a diferença.

Ao líder do PCP, Jerónimo de Sousa, António Costa prometeu esforço do PS para “acomodar neste Orçamento, na medida do possível”, as propostas que os comunistas venham a apresentar no debate que se segue no Parlamento, na especialidade.

Até o PAN foi brindado com o espírito de abertura por parte dos socialistas. Claro que se trata de medidas que não têm impacto nas contas públicas. O Governo “trabalhará com toda a abertura as propostas que o PAN vier a apresentar”, garantiu Costa.

“Não ignoramos que no nosso mundo há várias peças”, disse o primeiro-ministro garantindo a sensibilidade do PS para o convívio entre seres humanos e animais, chamando a atenção para “os animais de companhia que, muitas vezes representam um papel essencial na rutura com a solidão”. Era a resposta a uma proposta do PAN que deu a entender que quer que o Estado reconheça algumas despesas que as famílias têm com estes animais.

De resto, o tom entre a esquerda foi de elogios (de Costa em relação aos partidos) e de mais reivindicações (dos partidos de esquerda em relação ao Governo).

“Se este fosse o último Orçamento estava muito angustiado, como é o primeiro estou apenas angustiado”, disse António Costa a Catarina Martins para evitar uma onda de pedidos de alterações.

Em relação ao PCP, que ocupou o seu espaço de intervenção mais a criticar os orçamentos do anterior Governo, o primeiro-ministro optou por fazer um elogio vincado, agradecendo que este partido tivesse entrado numa maioria “que permitiu que houvesse um Governo que não é de direita e permitiu que existisse este Orçamento que é diferente do que aquele que a direita apresentaria”.

O BE vai apresentar propostas de alterações no sentido de alargar a tarifa social de eletricidade, do Complemento Social para Idosos e do abono de família.

O PCP já anunciou que quer a gratuitidade progressiva dos manuais escolares, o congelamento das propinas, mais subsídio social de desemprego e redução da taxa máxima do IMI.

Já o PSD reafirmou o que Passos Coelho anunciara de manhã. “Vai abster-se de apresentar propostas de alteração” ao Orçamento do Estado, disse Teresa Leal Coelho durante o debate. O Bloco de Esquerda aproveitou a deixa para atirar que isso acontece “porque não teriam mais nada do que já apresentaram ao país: aumento de impostos e cortes de salários”, nas palavras de Joana Mortágua.