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A jornalista e ativista síria Samar Yazbek vai estar presente no Festival Literário da Madeira (FLM), que acontece no Funchal entre 11 e 16 de abril. O angolano Rafael Marques e o indiano Tabish Khair, autores ligados à defesa dos direitos humanos e à liberdade de expressão, também vão integrar o programa.

Rafael Marques, jornalista de investigação, lançou em 2011 o livro Diamantes de Sangue, onde expõe esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam, neste caso diamantes na região do Cuango. Pela publicação, foi acusado pela Justiça angolana de “denúncia caluniosa”.

O livro foi publicado em Portugal pela Tinta-da-China sob o título Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola. Na altura do julgamento, no ano passado, a editora portuguesa disponibilizou o livro online gratuitamente para que toda a gente o pudesse ler em qualquer país.

Samar Yazbek, escritora, jornalista e ativista síria, tem um percurso marcado pela defesa dos direitos da mulher e da criança e pela liberdade de expressão jornalística. Este é o tema maior da sua obra, o que lhe valeu más relações com o regime de Bashar al-Assad. Foi detida, fugiu do país e exilou-se em Paris.

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No seu mais recente livro, The Crossing: My Journey to the Shattered Heart of Syria, que vai ser publicado em Portugal pela editora Nova Delphi (organizadora do FML), conta como foi regressar clandestinamente a uma Síria dividida e destruída pelos combates a três frentes entre o exército oficial do país, o Exército Livre Sírio e o autoproclamado Estado Islâmico.

Tabish Khair, autor indiano radicado na Dinamarca, tem publicado livros onde aborda a xenofobia e terrorismo. A Portugal chegou no ano passado Como Combater o Terrorismo Islâmico na posição de Missionário (Nova Delphi), ficção descontraída sobre a integração de estrangeiros na Dinamarca.

Este ano, o FLM tem como tema “Falsidade e Verdade na Ficção Literária”. O escritor Mia Couto, a escritora e cineasta Claudia Clemente e o realizador Ivo M. Ferreira, que recentemente competiu pelo Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim com o filme “Cartas da Guerra”, construído a partir da correspondência de António Lobo Antunes durante a guerra colonial, são alguns dos nomes também já confirmados no evento.