Os dois suinicultores detidos na terça-feira durante uma manifestação foram constituídos arguidos, acusados dos crimes de injúria agravada, resistência e coação, e vão aguardar com termo de identidade e residência o julgamento no Tribunal de Alcobaça.

A informação foi avançada por Valentim Morgado, advogado dos manifestantes, que foram inquiridos esta quinta-feira no Tribunal de Alcobaça e vão começar a ser julgados a 9 de maio.

Dinis do Carmo, de 25 anos, e Luís Rodrigues, de 51, foram detidos na terça-feira durante um durante um corte de estrada ao quilómetro 92 do IC2 (Itinerário Complementar 2, também conhecido por Estrada Nacional 1), próximo da localidade de Casal da Charneca, em Évora de Alcobaça.

Num comunicado emitido na quarta-feira, a GNR justificou a detenção com agressões aos militares que, no local, tentavam “manter a ordem pública”.

Os militares estavam também, segundo a guarda, a evitar riscos para o operador de uma máquina que retirava brita despejada pelos manifestantes na via.

Os militares da GNR e os arguidos prestaram declarações esta quinta-feira ao Ministério Público entre as 12h:30 e as 17:30, período durante o qual mais de meia centena de suinicultores se mantiveram no tribunal, numa manifestação de solidariedade para com os detidos.

Dinis do Carmo e Luís Rodrigues “esclareceram todas as questões que foram colocadas”, declararam-se inocentes e “rejeitaram a suspensão temporária do processo”, acrescentou o advogado.

Em declarações aos jornalistas, Luís Rodrigues – que além da detenção sofreu ferimentos e teve de receber assistência no Hospital de Leiria – negou qualquer agressão aos militares.

O detido referiu que a GNR entrou em confronto com os manifestantes por estes “terem mostrado desagrado ao operador da máquina” que estava a retirar as pedras da via.

Segundo o manifestante, “não houve ofensas aos militares”, mas sim ao operador, que “já trabalhou para a maior parte dos suinicultores da região”, o que motivou desagrado.

Luís Rodrigues defendeu ainda não haver razão “para a ação da GNR”, que considera ter agredido os manifestantes quando se encontravam num terreno privado, propriedade da família de Dinis do Carmo.

“Penso que nós fomos a moeda de troca [para que a GNR negociasse o fim do protesto], porque tinham que levar alguém e calhou sermos nós”, concluiu.

O protesto durou quase 12 horas, entre as 14h00 de terça-feira e as 01h30 de quarta-feira e ficou marcado por uma concentração junto à fábrica Carnes Nobre, em Rio Maior, no distrito de Santarém, e por dois cortes de estrada no concelho de Alcobaça, o primeiro em Venda das Raparigas e o segundo em Casal da Charneca. Dos protestos resultaram ainda danos na máquina usada para retirar as pedras da via.