Presidência da República

Marcelo classifica de “quase aberrantes” vozes contra o voluntariado

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O Presidente não nomeou mas a crítica tinha um destinatário claro: Catarina Martins. A bloquista afirmara que o "trabalho voluntário era uma treta". Marcelo fala agora em vozes "quase aberrantes".

"O trabalho voluntário, o voluntariado de que falamos vai para além da atividade profissional de muitos", disse Marcelo

PEDRO NUNES/LUSA

Marcelo Rebelo de Sousa promete fazer voluntariado no Hospital de Santa Maria quando terminar o seu mandato como Presidente da República e deixou uma crítica indireta à porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) sobre trabalho voluntário.

“De quando em vez ouve-se uma ou outra voz na sociedade portuguesa, um pouco estranha, quase aberrante, a dizer: não é bom haver trabalho voluntário, deve haver prioridade ao trabalho pago”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República falava na sessão comemorativa dos 20 anos da Associação dos Amigos do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, esta quarta-feira.

A 17 de abril, em Coimbra, a propósito da precariedade no mercado laboral português, porta-voz do BE, Catarina Martins, afirmou que “trabalho voluntário é uma treta” e defendeu que só deve existir “quando houver pleno emprego” em Portugal: “Até lá, só contratos de trabalho”.

Nesta sessão no Hospital de Santa Maria, o chefe de Estado elogiou quem faz voluntariado, considerando que “a disponibilidade para os outros rejuvenesce” e é “a única forma de verdadeira realização pessoal”.

“O trabalho voluntário, o voluntariado de que falamos vai para além da atividade profissional de muitos e, noutros casos, representa uma forma própria, autónoma, de realização pessoal que não tem a ver com atividades profissionais desenvolvidas no passado”, acrescentou.

Antes de intervir, Marcelo Rebelo de Sousa foi desafiado para ser voluntário na Associação dos Amigos do Hospital de Santa Maria quando deixar a chefia do Estado.

O Presidente aceitou o desafio, sugerindo que só fará um mandato de cinco anos: “Está aceite. Cá estarei, convosco. É esperarem cinco anos, não é tanto assim”.

No seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que pertence “há muito tempo aos chamados voluntários informais”, no domínio dos cuidados paliativos, noutras unidades de saúde.

“Tenho a exata noção do mérito da vossa atividade, e penso que ela é exemplar na sociedade portuguesa. Esse espírito é fundamental em todos os domínios da sociedade portuguesa: a abertura aos outros, a disponibilidade para os outros, o serviço dos outros, o ser capaz de ultrapassar os egoísmos”, defendeu.

Em tom de brincadeira, durante a sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “o cargo de Presidente da República é às vezes uma forma de voluntariado”, com “extraordinárias horas que ultrapassam aquilo que seria o estrito entendimento do exercício das funções”.

“Não imaginam o que implica de compaixão, de atenção, de solidariedade, de capacidade para entender e para apoiar e para secundar, 24 horas por dia”, descreveu, fazendo rir a assistência.

Está aceite o convite para depois do voluntariado político voltar a dedicar-me, e aí formalmente, ao voluntariado formal neste hospital”, acrescentou.

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