O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados (câmara baixa parlamentar) do Brasil adiou esta terça-feira para quarta-feira às 14h00 (18h00 Lisboa) a votação de um relatório que pede o afastamento do presidente do órgão, Eduardo Cunha.

A votação deveria ter acontecido esta terça-feira, mas o relator do processo pediu mais tempo para responder a uma proposta alternativa encaminhada ao conselho pelo deputado João Carlos Bacelar do Partido Republicano (PR).

Segundo esta nova proposta, ao invés de afastar em definitivo Eduardo Cunha, os parlamentares poderiam optar por apenas afastá-lo do cargo por três meses.

O adiamento ocorreu no dia em que o jornal O Globo avançou que o procurador-geral da República brasileiro, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão de Eduardo Cunha, por considerar que ele continua interferindo nos trabalhos da Câmara.

A discussão que precedeu a votação ficou marcada precisamente por este pedido de prisão.

Eduardo Cunha é acusado de ter mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobras, ao negar ter contas no exterior em seu nome, o que poderia caracterizar quebra de decoro parlamentar.

Marcos Rogério, relator do parecer colocado em votação e favorável à cassação do mandato, disse, na semana passada, que os investimentos em ‘trusts’ (património administrado por terceiros) do presidente da Câmara dos Deputados suspenso foram usados para a prática de “fraudes” na ocultação de bens, que tiveram origem em subornos.

Eduardo Cunha foi afastado do cargo de deputado federal pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início de maio, mas continua na prática com as prerrogativas da função de deputado, até os parlamentares decidirem se ele deve ter o mandado cassado ou não.

Iniciado há oito meses, este é o processo de cassação mais longo a tramitar no Conselho de Ética, que em março aprovou a continuidade da investigação por margem mínima.