O Governo moçambicano vai enviar pedidos à União Europeia (UE), Igreja Católica e África do Sul para mediarem o fim da crise política e militar no país, anunciou a delegação do executivo nas negociações com a Renamo.

Citado hoje pelo jornal O País, o principal diário privado em Moçambique, Jacinto Veloso afirmou que os pedidos às três partes serão endereçados nos próximos três dias.

Estamos em processo de envio de cartas aos mediadores do diálogo e pensamos que, nos próximos três dias, estarão enviadas. Esperamos que os destinatários deem uma resposta muito rápida”.

Veloso, que já ocupou a pasta de ministro da Segurança no Governo, afirmou que os mediadores irão tomar parte na preparação do encontro entre o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, para o fim dos confrontos militares entre as forças de defesa e segurança e o braço armado do principal partido de oposição.

“O encontro do Presidente e do líder da Renamo vai realizar-se com a presença dos chamados mediadores”, acrescentou o porta-voz da delegação do Governo nas negociações com o principal partido de oposição.

O Presidente moçambicano disse na quinta-feira que aceitará a presença de mediadores nas negociações entre o Governo e a Renamo, apontando o fim imediato dos confrontos como uma prioridade.

“Vamos aceitar que haja a intervenção desse tipo de pessoas (mediadores), mas o importante é que o papel dessas pessoas ajude a acabar com a guerra em Moçambique, para desenvolvermos o país”, afirmou Nyusi, falando num comício na província de Maputo, no quadro da presidência aberta que realiza a este ponto do sul do país.

Por seu turno, o líder da Renamo disse na sexta-feira que alcançou, por telefone, consensos com o chefe de Estado moçambicano sobre a paz, mas fez depender o fim dos confrontos armados de garantias de segurança.

“A pedido do Presidente (Filipe) Nyusi, conversámos acerca do conflito político-militar que assola o nosso país, nós os dois chegamos a entendimento, que tínhamos que arranjar a solução como moçambicanos”, afirmou Dhlakama, numa teleconferência com jornalistas.

Falando a partir de Gorongosa, província de Sofala, centro do país, onde se encontra refugiado desde finais do ano passado, o líder da Renamo confirmou que o chefe de Estado moçambicano aceitou a participação de mediadores internacionais nas negociações entre o principal partido de oposição e o Governo para o fim do conflito militar no país.

“Como sabem, havia problemas por parte do Governo, que não queria ouvir falar da mediação internacional e a Renamo insistia, com base na experiencia que nós temos do passado, é um dos pontos que pude discutir com ele e o fiz entender que era necessário que houvesse mesmo mediação internacional, da União Europeia, Africa do Sul e Igreja Católica, ele acabou de me dizer que sim”, acrescentou o líder da oposição.

Moçambique tem conhecido um agravamento dos confrontos entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Renamo, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.

O principal partido da oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.