Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Há agora uma encruzilhada em termos políticos. Por um lado, esta vitória pode dar força aos outros países que desejam mais benefícios na União Europeia e até levar a outros referendos; por outro, pode levar a um maior aprofundamento do projeto europeu. Com o resultado fresco, a Alemanha já pediu uma reunião de emergência do grupo dos líderes dos países fundadores, onde se espera que estejam presentes, para além de Angela Merkel e François Hollande, os líderes do Benelux e o primeiro-ministro italiano. De fora, ficam países como Portugal e Espanha.

Este é um grupo que se reúne com alguma regularidade e Margarida Marques, secretária de Estado dos Assuntos Europeus, afirmou que este encontro é “normal”. “É um grupo regional que se reúne há muito tempo, tal como outros grupos dentro da União Europeia”, comentou Margarida Marques, reafirmando que a prioridade de Portugal é assegurar a continuidade do projeto europeu.

Bernardo Pires de Lima, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, considera que o Governo português deve agora fazer o máximo para se manter “no pelotão da frente” da integração. “O Governo, através de um consenso entre os partidos e a Presidência da República, tem de tomar a decisão de se juntar a este aprofundamento, comprometer-se a cumprir reformar e tomar as decisões necessárias, mesmo que num primeiro momento possam ser decisões que podem prejudicar o crescimento económico“, indica o autor do livro Putinlândia, lançado recentemente. O investigador defendeu ainda que este pelotão será liderado por Paris e Berlim.

Num encontro informal em fevereiro, os seis membros fundadores da União Europeia — França, Alemanha, Itália, Holanda, Luxemburgo e Bélgica — tinham afirmado o seu interesse num compromisso para “uma união cada vez mais próxima”, ao contrário do que tinha sido negociado com o Reino Unido nesse mesmo mês. Com a criação da zona euro, há quem defenda que a União Europeia já funciona a duas velocidades, mas a proposta pode agora ser duas velocidades para o aprofundamento da integração, deixando para trás os partidos do Sul, do Norte e do Leste, focando-se assim no Centro da Europa.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR