Um concerto sinfónico pela Orquestra Gulbenkian e duas exposições, uma com trabalhos cenográficos de Graça Morais e outra que revisita a obra de Ricardo Pais, abrem esta segunda-feira, na Escola D. António da Costa, o 33.º Festival de Almada.

Num programa que “transpira” teatro, a Orquestra Gulbenkian sobe ao palco grande da escola, para interpretar a obra que Edvard Grieg compôs para “Peer Gynt”, de Henrik Ibsen, uma oportunidade para recordar a encenação de Peter Zadek, para o Berliner Ensemble, acolhida em 2008 pelo Teatro Municipal Joaquim Benite.

O concerto inclui ainda excertos da ópera de Donizetti “Lucia di Lammermoor” e de “Candide”, de Leonard Bernstein, inspirada em Molière, que a Orquestra Sinfónica Portuguesa apresentou na edição de 2013 do festival.

Com direção musical de Jan Wierzba, o concerto conta com a participação da soprano Bárbara Barradas, galardoada com o prémio Donizetti, em Salzburgo, pela interpretação de Lucia, em “Lucia di Lammermoor”.

“Montra” é a exposição realizada a partir de trabalhos do encenador Ricardo Pais, o homenageado na edição deste ano, que também coordena o programa “O sentido dos mestres”. A mostra é coordenada por Rui Simão.

Patente no átrio da Escola D. António da Costa, e visitável das 15h00 às 24h00, durante os 15 dias do certame, a mostra apresenta o encenador como alguém que nunca ambicionou ser do seu tempo, sabendo, como o dramaturgo de origem romena Ionesco, que “quem quer ser do seu tempo já está ultrapassado”, como assinala Pedro Sobrado numa nota sobre o encenador.

A exposição “Os biombos” reúne os painéis executados por Graça Morais, em 1993, a convite do encenador Carlos Avilez, para a peça homónima de Jean Genet, agora cedidos pelo Teatro Experimental de Cascais.

Com curadoria de Jorge Costa e coordenação de Fernando Alvarez, a mostra está patente na sala polivalente da Escola D. António da Costa e pode ser visitada, das 15h00 e as 24h00, enquanto decorrer o festival.

Vinte e nove espetáculos de teatro, música e dança, num total de 51 produções, preenchem o cartaz do certame, a decorrer até 18 de julho em 15 espaços de Almada e Lisboa.

“Pílades”, de Pier Paolo Pasolini, pelo Teatro Experimental La Mama, companhia histórica ‘off Broadway’, de Nova Iorque, “Hedda Gabler”, de Ibsen, pela companhia norueguesa Visjoner Teater, e um inédito de Gil Vicente, “Nao d’amores”, numa coprodução da companhia anfitriã, a Companhia de Teatro de Almada, com a espanhola Não d’Amores, que toma o nome da obra vicentina, dirigida por Ana Zamora, são as peças que abrem o ciclo de representações, na terça-feira.

O texto de Pasolini, que será representado na Incrível Almadense, foi estreado no final do ano passado, em Manhattan, e é uma interpretação moderna da relação de Pílades e Orestes, da mitologia grega, traduzida numa “meditação trágica da democracia, do consumismo e da luta por uma verdadeira mudança social”, como a companhia escreveu no seu programa.

“Hedda Gabler” mobiliza uma das intérpretes privilegiadas do dramaturgo norueguês, a atriz Juni Dahar, que também assina a dramaturgia da obra, e terá três representações, a repartir por terça e quarta-feira, na Casa da Cerca.

A peça de Gil Vecente – “Nau de Amores”, na ortografia atual – foi escrita em 1527, para celebrar a chegada a Lisboa do rei D. João III e de sua mulher, Catarina da Áustria, e nunca mais foi representada.

A ação decorre num navio – uma nau -, onde se cruzam personagens de caráter alegórico, como a própria cidade de Lisboa, o Amor, que conduz o barco, “um Frade doido, um Pastor castelhano, um Negro, um Velho apaixonado e dois Fidalgos portugueses”.

Depois da estreia no festival, a peça regressará ao Teatro Municipal Joaquim Benite, em outubro.

O programa desta 33.ª edição do Festival, dedicado aos “novos mestres”, reúne ainda os encenadores alemães Thomas Ostermeier e Falk Richter e o francês Joel Pommerat, em mais de duas dezenas de companhias, e conta com produções oriundas de Alemanha, Argentina, Áustria, Estados Unidos, Noruega, Roménia e Suíça.

Inclui ainda um ciclo dedicado ao novíssimo teatro italiano, representado com cinco produções, entre as quais “Tandem”, pela Associazione Culturale Civilleri/Lo Sicco, a partir de texto de Elena Stancanelli.