Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Mário Centeno tem dúvidas sobre a concretização da fusão entre as entidades que gerem as bolsas de Londres e de Frankfurt. Numa carta endereçada a Margrethe Vestager, comissária europeia responsável pelos assuntos da Concorrência, o ministro das Finanças português pede que sejam tomadas medidas para travar a operação que se encontra em curso.

No essencial, Centeno argumenta que a fusão pode proporcionar o aparecimento de uma entidade com uma posição tão dominante que poderá fazer com que o acesso a financiamento se torne difícil, de acordo com a Reuters, que teve acesso a uma cópia da carta. “A fusão teria impactos negativos no funcionamento do mercados de capitais”, refere a missiva do ministro das Finanças, que acrescenta: “Uma tal concentração de volume de transações e de serviços relacionados coloca uma clara ameaça à concorrência”.

Para Centeno, a fusão entre a London Stock Exchange (LSE) e a Deutsche Boerse põe em perigo “a viabilidade de várias bolsas europeias”, conforme afirma na carta enviada em junho passado, cujo conteúdo o Ministério das Finanças confirmou à Reuters. O Governo português assinalou que as autoridades da Bélgica e de França já expressaram as mesmas preocupações e que tem havido contactos a vários níveis sobre o tema.

Um dos aspetos que mais alarma Mário Centeno é o do acesso aos mercados de capitais através da Euronext, rede de bolsas que é integrada pela praça financeira lisboeta, além de Amesterdão, Paris e Bruxelas, que ficará com uma quota de mercado mais reduzida no caso de a fusão entre Londres e Frankfurt avançar. “A Comissão Europeia está em posição para impedir esta distorção do mercado”, considera Mário Centeno.

A fusão entre a London Stock Exchange e a Deutsche Boerse é uma operação que está avaliada em 30 mil milhões de dólares [27 mil milhões de euros] e já foi votada favoravelmente pelos acionistas do mercado da City, após a realização do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. A maioria que aprovou a operação foi esmagadora: 99,89% dos acionistas da LSE deram o “sim” ao casamento com Frankfurt.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR