Dois anos de conflito na Ucrânia causaram 2.000 mortos, 90 por cento dos quais em bombardeamentos indiscriminados de áreas residenciais, disse hoje a Organização das Nações Unidas (ONU), ao apresentar um relatório sobre a situação ucraniana.

A Missão da ONU de Observação dos Direitos Humanos na Ucrânia critica impunidade com que se tratam os crimes cometidos desde a insurreição em abril de 2014 com fins separatistas em Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, onde ocorreram a maioria dos confrontos.

“Ninguém assumiu a responsabilidade pela morte de qualquer civil nas hostilidades”, indica a ONU, que defende que “alguns dos assassinatos podem constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade”.

Segundo as conclusões, os conflitos têm sido incentivados pela “entrada de combatentes estrangeiros e de armamento da Rússia”, país vizinho da Ucrânia.

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Para além de 20 páginas, o relatório junta mais 31 páginas em anexos em que são descritos mais de 60 casos relacionados com o assassinato de civis e de outras pessoas protegidas pelas normas internacionais em zonas de guerra, como prisioneiros.

No relatório acusam-se os grupos armados rebeldes de executarem em particular pessoas que defendiam ou que eram suspeitas de defender ideias a favor da unidade nacional e o apoio ao exército de Kiev.

Por outro lado, os alvos do Governo eram, segundo o relatório, indivíduos afiliados ou apoiantes da insurreição, ou ainda considerados como favoráveis à Rússia.

A ONU destaca ainda o “homicídio intencional de pelo menos 121 soldados, alguns dos quais eram informadores de comportamentos abusivos das forças ucranianas em zonas de conflito”.

No relatório salienta-se também que “um número significativo de pessoas conhecidas como criminosas também se juntou a uma das duas forças”.