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Quando o Observador escreveu pela primeira vez sobre o Il Matriciano, o título escolhido para a peça inspirava-se, ao de leve, no famoso slogan de uma não menos famosa marca de cervejas: “Provavelmente, o restaurante mais italiano de Lisboa”. Passado pouco mais de um ano, a atribuição continua a fazer-lhe jus.

A genuinidade deste pequeno restaurante de São Bento, mesmo em frente às escadarias de acesso à Assembleia da República, começa no respetivo dono, Alessandro Lagana, que é frequente ver num rodopio, naquela zona da cidade, montado na sua Vespa. O mesmo Alessandro que continua a ir semanalmente a Itália buscar os produtos utilizados na cozinha, da mozzarella ao guanciale, e que, desde há cerca de um mês, passa todos os dias, manhã cedo, pela famosa banca de Rosa Cunha (Rosanamar), no Mercado da Ribeira. E porquê? Porque é aí que escolhe o peixe fresco que alimenta a carta do seu novo restaurante, o Il Matriciano Al Mare.

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A cozinha do novo Il Matriciano Al Mare tem ligação direta, por dentro, à da casa-mãe.
(foto: © Tiago Pais / Observador)

Mas porquê Al Mare?

“Tinha vários clientes que se queixavam de não ter pratos de peixe na carta do Il Matriciano”, explica, para justificar a opção por um novo restaurante dedicado, em exclusivo, aos produtos do mar. Sim, é mesmo um novo restaurante: em vez de alargar a oferta da casa-mãe, Alessandro tomou conta de um pequeno espaço contíguo — com ligação interna à cozinha existente –, decorou-o em tons marítimos e batizou-o com um sufixo esclarecedor: Il Matriciano Al Mare.

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Quando se pensa em cozinha italiana pensa-se em muita coisa, da pasta à pizza, do risotto aos dolci. E, regra geral, saliva-se. Mas é raro, pelo menos em Portugal, associá-la ao peixe e marisco. Será, sobretudo, falta de hábito e oferta nesse sentido: com quase 8000 quilómetros de costa, estranho seria se os italianos não tivessem tradição na matéria. E têm-na, claro. Alessandro exemplifica com amêijoas: “Vocês aqui, fazem-nas à Bulhão Pato, com muito alho, coentros, limão, etc. Nós usamos apenas um dente de alho, salsa e um pouco de pimenta. É mais leve.”

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Spaghetti con le vongole, ou esparguete com amêijoas (14€), um clássico que não poderia faltar num restaurante italiano dedicado aos sabores do mar. (foto: © Tiago Pais / Observador)

A dita leveza estende-se a um prato que o próprio dono do restaurante inventou: trofie (um tipo de massa enrolada, típica da região da Liguria) com robalo e limão. “Isto aconteceu um dia que estava na cozinha e comecei a improvisar. Leva também manjericão e um ingrediente secreto que não posso revelar”, conta entre sorrisos. Não se pense, contudo, que Alessandro decidiu vestir a jaleca de uma hora para outra: na cozinha manda Jonathan, um chef de Livorno com experiência de oito anos a trabalhar num restaurante deste género. A sua especialidade? “Sformato di gamberi e zucchine” (10€), responde de pronto o patrão. Trata-se de uma das entradas da ementa, que mais não é que uma espécie de flan de gambas e curgete.

A ementa inclui ainda coisas como carpaccio de robalo e trufas (14€) ou de atum (12€) nos antipasti, ravioli de tamboril com tomate cherry e alcaparras (16€) e risotto com creme de lagostim e laranja (15€) nos primi piatti, e peixe espada à siciliana (14€) ou lulas recheadas (15€) nos secondi. E sobremesas? Já lá vamos.

“Gosto de sair dos restaurantes com um bocadinho de fome”

A frase é de Alessandro e explica porque é que a expressão enfarta-brutos, celebrizada por diversos restaurantes no país inteiro, não se aplica a nenhuma das suas casas. “Acho que se a pessoa sair com um pouco de fome, quando chegar a casa vai estar bem, logo vai relembrar uma experiência positiva. Se estiver muito cheia vai passar a noite mal disposta e pode associar isso ao restaurante.” Ou seja, as doses são razoáveis, sem serem exageradas, e permitem explorar devidamente a carta. Sobremesas incluídas. Nesse campeonato destacam-se os gelados de fruta artesanais, fabricados por um senhor de 75 anos de Salerno, a sul de Nápoles, que são servidos na própria casca. “Provei-os a primeira vez num restaurante da Piazza Popolo, em Roma. Quando liguei ao senhor que os fazia a dizer que os queria ter em Lisboa ele desligou-me o telefone na cara. Foi preciso insistir muito”, recorda o responsável. Mas conseguiu.

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Em Lisboa, só é possível provar estes gelados de fruta, feitos em Salerno, nos restaurantes de Alessandro Lagana. A dose, que inclui várias frutas, dá para duas pessoas e custa 12€. (foto: © Tiago Pais / Observador)

Para já, o Il Matriciano Al Mare está aberto apenas aos jantares, mas lá para setembro, na reentré, é possível que passe também a abrir aos almoços. Igualmente prevista para esse mês é a abertura de mais um espaço com a chancela Il Matriciano. Será outro restaurante? Também em São Bento? Nada disso, desta vez vem aí uma mercearia. E num bairro vizinho: Campo de Ourique. “Vamos ter à venda todos os produtos que utilizamos nos restaurantes”, assegura Alessandro. Molto bene, signor.

Nome: Il Matriciano Al Mare
Morada: Rua de São Bento, 99 (São Bento), Lisboa
Telefone: 93 580 3867
Horário: De terça a sábado, das 19h30 às 23h30 (a partir de setembro é possível que comecem a servir almoços)
Preço Médio: 25€
Reservas: Aceitam
Site: facebook.com/ilmatricianoalmare