Três pessoas foram detidas por suspeita do assassínio do procurador moçambicano Marcelino Vilanculo, ocorrido a 11 de abril na cidade de Matola, arredores de Maputo, revelou em comunicado a Procuradoria Geral da República (PGR).

Sem fornecer pormenores sobre os detidos nem sobre as causas do assassínio, a PGR avançou que constituiu como arguidos três pessoas pelos crimes de homicídio qualificado, posse de armas proibidas e associação para delinquir e que o caso seguiu a 28 de julho para o Tribunal Judicial da Província de Maputo.

Dois dos arguidos vão igualmente responder pelo crime de branqueamento de capitais.

“Por haver indícios de envolvimento de mais pessoas, a Procuradoria prossegue com a investigação para o apuramento das mesmas e respetiva responsabilização”, refere o comunicado da PGR enviado à Lusa.

As detenções, segundo a PGR, resultaram das investigações da Polícia de Investigação Criminal sob direção do Ministério Público, no âmbito de um processo-crime aberto na sequência do crime.

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Marcelino Vilanculo, procurador afeto à cidade de Maputo, foi assassinado na noite de 11 de abril a tiro por desconhecidos nos arredores da capital, quando seguia para casa na sua viatura.

Na altura a polícia escusou-se a confirmar se a causa do crime estava relacionada com a investigação de raptos na região da capital, referindo apenas que estava a trabalhar com todas as hipóteses.

De acordo com o jornal Notícias, o magistrado tinha a seu cargo as investigações em torno de raptos em que supostamente está envolvido Danish Satar, sobrinho de Nini Satar, que está por sua vez em liberdade condicional após ter cumprido pena por participação no homicídio, em 2000, do jornalista Carlos Cardoso.

Danish Satar foi deportado de Itália para Moçambique no final do ano passado, após ter saído do país em circunstâncias até agora desconhecidas, uma vez que se encontrava em liberdade provisória a aguardar o andamento do processo em que é indiciado de envolvimento em raptos.

Em 2014, um juiz que tinha em mãos processos relacionados com a onda de raptos em Maputo, Diniz Silica, foi morto a tiro por desconhecidos até agora a monte, em plena luz do dia na capital moçambicana.

Maputo registou uma onda de raptos desde 2012 e dezenas de pessoas já foram vítimas desse tipo de crime, havendo relatos de que a maioria tem sido libertada mediante o pagamento de resgate.

Várias pessoas foram condenadas a pesadas penas de prisão por envolvimento em raptos, embora este continue a ser um crime relativamente frequente em algumas cidades moçambicanas, sobretudo em Maputo.