Os pacotes para a final do euro em Paris entre Portugal e França estavam a ser comercializados pela agência de viagens Cosmos a €1.400, para bilhetes de categoria 2, e a €1.700, para bilhetes de categoria 1, disse ao Observador uma fonte daquela empresa especializada em pacotes turísticos para eventos desportivos. Os pacotes de um dia para a fase de grupos eram comercializados por esta agência a €790.

As viagens que foram oferecidas a pelo menos três secretários de Estado — Fernando Rocha Andrade, dos Assuntos Fiscais, Jorge Oliveira, da Internacionalização, e João Vasconcelos, da Indústria — tinham estes preços de tabela na agência. No total, se fizermos a conta pelo valor mais baixo dos preços de tabela, o valor total do pacote oferecido a Rocha Andrade que foi ver um jogo da fase de grupos e a final foi de €2.190. Um secretário de Estado ganha cerca de três mil euros líquidos. Não quer dizer que tenha sido esse o preço pago pela Galp, que comprou um elevado número de bilhetes e pode ter obtido descontos. O pacote vendido pela empresa, que fretou vários aviões para o Euro 2016, incluía a viagem, o transfer até ao estádio, e o bilhete para o jogo.

Todos os secretários de Estado já fizeram saber que iam pagar o valor do pacote à Galp, mas nenhum divulgou o valor a ser devolvido.

O preço dos bilhetes para esses jogos está tabelado num documento da UEFA: no total, para as melhores zonas dos estádios, o valor total dos dois bilhetes usados por Rocha Andrade é de 1.040 euros, no caso de serem de categoria 1. Esses bilhetes para o Portugal-Hungria, a que o secretário de Estado assistiu, valiam 145 euros, mas eram muito mais caros na final: 895 euros, segundo a tabela da UEFA. Se os lugares usados pelo secretário de Estado estivessem classificados como categoria 2, custariam 105 euros na fase de grupos e 595 euros na final (um total de 700 euros).

Os bilhetes oferecidos foram contratados à agência de viagens Cosmos, que é propriedade de Joaquim de Oliveira. A Cosmos é a transportadora oficial da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e, nessa qualidade, teve acesso a bilhetes para o Euro 2016, que comercializou em pacotes que incluem a entrada e a deslocação até à cidade francesa onde se realizaram os jogos. A agência é especializada em viagens desportivas, comercializando pacotes do género sempre que há jogos internacionais de clubes portugueses ou da seleção. Neste caso, a Galp foi uma das entidades que, como patrocinadora da seleção, comprou alguns desses pacotes para distribuir pelos seus convidados.

A Cosmos, além de parceira da FPF, é credenciada pela UEFA e pela FIFA para poder efetuar as chamadas viagens desportivas. O processo é simples: adquire junto destas entidades um considerável número de bilhetes para um determinado jogo, freta aviões charter e depois vende os referidos pacotes. Diretamente ou a clubes e empresas. Nas vendas diretas a adeptos, a empresa de Joaquim Oliveira fica habitualmente com algumas sobras. E preenche esses lugares com convidados pessoais do empresário, como terá sido o caso dos deputados do PSD.

Numa mensagem promocional da agência a que o Observador teve acesso, a Cosmos Viagens apresentava Pacotes de Hospitalidade Platinum e Gold, para os jogos do Euro 2016. O preço mais baixo era de €790 para um dia, durante os jogos na fase de grupos. Os pacotes de três dias começava nos €1.490.