O Ministério Público está a “recolher elementos” sobre o caso Rocha Andrade, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que foi a dois jogos do Euro 2016 a convite da Galp. “O Ministério Público encontra-se a recolher elementos, tendo em vista apurar se há, ou não, procedimentos a desencadear no âmbito das respetivas competências”, respondeu o gabinete da Procuradoria-Geral da República ao Observador depois de o Público ter avançado com a informação.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais já disse que pretende reembolsar a Galp da despesa da viagem para assistir a jogos da Seleção de Futebol no Campeonato da Europa, embora encare com normalidade ter aceitado o convite da empresa.

A Sábado noticiou na quarta-feira hoje que Fernando Rocha Andrade viajou a convite da Galp para assistir a encontros da seleção portuguesa durante a fase de grupos do Europeu.

Numa nota enviada à agência Lusa pelo gabinete de imprensa do Ministério das Finanças, o secretário de Estado confirmou que aceitou o convite feito pela Galp, “enquanto entidade patrocinadora da Seleção Nacional”, para assistir a dois jogos.

O governante sublinha que “considerou o convite natural, dentro da adequação social” e entende que “não existe conflito de interesses”.

“No entanto, para que não restem dúvidas sobre a independência do Governo e do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, o secretário de Estado contactou a Galp no sentido de reembolsar a empresa da despesa efetuada”, refere o Ministério das Finanças.

Entretanto, contactada pela Lusa, a Galp esclareceu hoje que “é comum” e eticamente aceitável convidar para determinados eventos entidades com que se relaciona.

A empresa explicou que patrocina a Seleção Nacional de futebol desde 1999 e que, além das iniciativas diretamente ligadas à utilização da imagem e dos símbolos da equipa em campanhas publicitárias, desenvolve igualmente outras iniciativas com o objetivo de reforçar a visibilidade e impacto desse apoio, nomeadamente o envio de convites a pessoas e instituições com as quais se relaciona.

A Galp sublinha que “este tipo de iniciativas é comum e considerado aceitável no plano ético das práticas empresariais internacionais” e acrescenta que “a única coisa que pretende com todos e com cada um destes convites é fomentar o espírito de união em torno da Seleção Nacional, cujos valores se coadunam com os da marca Galp”.

Entre os convidados, detalhou, encontram-se parceiros de negócios, fornecedores e prestadores de serviços, agências de publicidade, representantes institucionais e dezenas de clientes, grandes e pequenos.

“Todos viajam em conjunto de forma aberta e transparente, num voo ‘charter’ de acesso generalizado, sem qualquer segredo ou tratamento diferenciado, partindo e regressando no próprio dia do jogo”, lê-se na nota enviada pela Galp à Lusa.

O PSD já pediu esclarecimentos sobre esta viagem enquanto o CDS-PP pediu a demissão do secretário de Estado.