Incêndios 2016

Fogo no Funchal. Três mortos, mil desalojados

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Três idosos foram encontrados mortos na zona da Pena, em Santa Luzia. Uma pessoa continua desaparecida.

LUSA

(Última atualização às 18h30 de quarta-feira)

Três pessoas morreram na sequência dos incêndios que há dois dias afetam o concelho do Funchal, na Madeira. Tratavam-se de idosos que foram apanhados pelas chamas na zona da Pena, em Santa Luzia. Uma pessoa encontra-se ainda desaparecida.

A morte de uma idosa já tinha sido confirmada na madrugada desta quarta-feira à Lusa fonte do Governo Regional. A RTP avançou durante a noite que morreu uma mulher que estava acamada numa das habitações afetadas pelo fogo, na zona da Pena, perto do centro da cidade do Funchal, onde na zona histórica arderam pelo menos 37 casas e há dezenas de desalojados. A ilha acordou esta quarta-feira com vários focos de incêndio ativos.

Ponto de situação às 10h00 por Miguel Albuquerque

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, falou aos jornalistas esta manhã e fez o ponto de situação geral da situação na ilha:

  • “Infelizmente, temos a lamentar três mortes, de pessoas idosas, que foram apanhadas pelo fogo, que lavrou em Santa Luzia”, começou por dizer Albuquerque.
  • 327 pessoas deram entrada nas urgências nas últimas horas. 247 já tiveram alta, e 80 ficaram internadas para observação.
  • 950 pessoas encontram-se alojadas no Regimento de Guarnição n.º 3. Miguel Albuquerque sublinha que não se deve “confundir as pessoas que perderam as suas casas” e aqueles que, “por precaução, para não inalarem o fumo, foram para o RG3”.
  • Já chegaram os primeiros reforços: 30 bombeiros dos Açores e 30 de Lisboa, juntamente com 5 profissionais do INEM e 4 profissionais da comunicação, que já estão no ataque ao incêndio.
  • Situações já controladas: Zona histórica de S. Pedro, Bairro dos Moinhos, Santa Luzia e zona da Achada.
  • Reacendimentos: Zona do caminho do Monte, S. Pedro, Canhas e Choupana.
  • Situação com focos ativos: Zona do Transval, na Boa Nova, e zona do miradouro de São João Latrão.
  • A situação “mais complicada é na Calheta, onde a corporação já foi reforçada”
  • O último levantamento aponta para 37 casas destruídas, mas está a ser feito um levantamento mais preciso. Albuquerque relembra que, em termos de financiamento, não serão tidas em conta casas abandonadas, mas apenas “as reais necessidades” da população.
  • Às 12h, chegam cerca de 80 operacionais de Lisboa para reforçar o combate ao incêndio.
  • Na reunião de emergência que o governo vai realizar ao início da tarde (12h00) será delineada uma “estratégia para a reposição rápida da normalidade, que passa por criar condições de normalidade e imagem de normalidade da Madeira”.

A Antena 1 avançou esta manhã que o número total de mortos subiu para três, após ter ouvido familiares das vítimas na ilha. A informação já foi confirmada pelas autoridades. As pessoas terão morrido soterradas nos escombros das habitações em que se encontravam, e que foram consumidos pelo fogo. O Governo Regional confirmou ainda a existência de uma pessoa desaparecida.

Entretanto cerca de mil pessoas foram retiradas de casas e hotéis para vários locais do concelho do Funchal, Madeira, informou o presidente da autarquia. Assinalando ser “impossível” fazer, neste momento, a contabilidade do número de edifícios que arderam, porque a preocupação está centrada na “intervenção rápida e eficaz” no combate ao incêndio, Paulo Cafôfo confirmou, contudo, que o emblemático hotel Choupana Hills ardeu. O autarca adiantou que as pessoas estão a ser acompanhadas com apoio psicológico e por voluntários e, “embora desgostosas com o que se está a passar, estão tranquilas”.

O presidente do maior município da Região Autónoma da Madeira acrescentou àquela hora existirem duas situações a gerar “maior preocupação”, o incêndio no núcleo histórico de São Pedro e um reacendimento nas Babosas, no Monte. No primeiro caso, Paulo Cafôfo esclareceu que “se se mantiverem as condições meteorológicas, serão necessárias mais duas ou três horas de trabalho”, acreditando que “o pior já passou, mas ainda há o combate ao fogo em alguns edifícios, a que se segue a fase de rescaldo”. Na zona das Babosas, que “já tinha tido problemas, está com reacendimento e estão a ser deslocados meios para o local”.

Os números: quatro mortos, dois feridos, um desaparecido e mil desalojados

Quatro pessoas morreram na zona da Pena, na freguesia de Santa Luzia. Entre elas, encontrava-se uma idosa, acamada, que se encontrava numa das casas que foram consumidas pelas chamas.

Dois bombeiros ficaram feridos, na sequência do despiste de um autotanque, que se dirigia para uma das frentes do incêndio.

A Agência Lusa avançou ainda a confirmação, por parte do Governo Regional, de uma pessoa desaparecida.

Entre casas, hotéis e hospitais, cerca de mil pessoas tiveram de ser deslocadas. “Cerca de 600 estão no Regimento de Guarnição n.º3 (Exército), 300 estão no estádio dos Barreiros e 50 no centro cívico de São Martinho”, disse o presidente da Câmara do Funchal à Lusa.

As chamas deflagraram nas zonas altas do Funchal, em São Roque, pelas 15h30 de segunda-feira e, na terça-feira à noite, o fogo desceu à baixa do Funchal, havendo ainda incêndios a lavrar noutros concelhos da ilha.

Horas antes, no último balanço feito pelo presidente do Governo Regional da Madeira, que continuava a acompanhar no terreno as operações dos bombeiros, este confirmava que a situação era “muito periclitante” Miguel Albuquerque também não avançou um número, apenas adiantando que o número iria “subir substancialmente” relativamente à estimativa de 37 as habitações realizada ao fim da tarde de terça-feira.

A situação meteorológica com ventos fortes e temperaturas elevadas vai continuar pelo menos até esta quarta-feira ao meio dia, e por isso, alertou Miguel Albuquerque, “não é possível prever a evolução dos ventos, podem reacender-se os incêndios no centro da cidade”.

Durante a noite, partiram para a Madeira elementos da GNR, do INEM e 20 bombeiros, para ajudar no combate às chamas. O primeiro-ministro tinha avançado, na terça-feira, que vários operacionais se iriam deslocar para a região autónoma.

“O Governo Regional da Madeira solicitou apoio para a situação que está a ocorrer no Funchal e hoje mesmo um avião da Força Aérea transportará o segundo comandante nacional, acompanhado por uma equipa formada por elementos do GIPS (Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro) da GNR, por bombeiros profissionais e por bombeiros voluntários e elementos do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica)”, disse o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas depois de uma reunião na Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide.

Animais domésticos libertados para poderem sobreviver

A SPAD – Sociedade Protetora dos Animais Domésticos do Funchal decidiu libertar todos os animais de companhia que tinha nas suas instalações, para evitar que morressem consumidos pelas chamas.

A “dura decisão” foi “tomada em prol das vidas dos nossos animais patudos”, explicou o organismo. No entanto, os animais já estão a ser recolhidos novamente. “Assim que se conseguiu controlar a situação na SPAD e na escarpa circundante das instalações, deram-se logo início a buscas para resgatar os animais que estavam a vaguear”, explica a SPAD em comunicado.

“Dos 120 animais que foram soltos, já só nos falta resgatar 18 cães, entre ontem e hoje, encontrando-se neste momento equipas no terreno com médicos veterinários e funcionários da SPAD”.

Edgar Silva fugiu com a família

Os relatos das pessoas que tiveram de abandonar as casas foram chegando assim que o fogo se foi aproximando cada vez mais das casas e do centro da cidade. Em declarações à RTP3, Edgar Silva, que foi candidato às presidenciais do PCP, contou que teve de abandonar o carro e fugir até junto do mar com o seu filho depois de ver o fogo chegar junto da sua casa. Na praia da Barreirinha, contou, estão cerca de 100 pessoas, entre habitantes do Funchal e turistas, que não sabem neste momento quando nem se poderão voltar às suas casas.

Eram cerca das 18h30, eu tinha ido buscar o meu filho, e no tempo que ia a subir para casa, de repente vem um tufão de vento e fogo que começou a queimar as arvores à volta das casas. Tivemos de abandonar os carros e desatar a correr. Descemos e fugimos para perto do mar. As pessoas estavam em pânico, e a grande sorte é que de repente mudou o vento. Era um tufão incontrolável e estava toda a gente em pânico a correr descontroladamente”

Edgar Silva explicou que “havia pessoas que queriam ir para as canoas para entrar para o mar e depois com a mudança do vento começaram a serenar e a entrar para o complexo da praia da barreirinha”. Os hospedes do hotel do Porto de Santa Maria também estão junto ao mar.

Tivemos de fugir porque as casas estavam a arder, cercadas pelo fogo. Agora estamos aqui junto ao mar, estão aqui muitas pessoas, na zona da praia da Barreirinha, mais de 100 pessoas aqui a aguardar, sem ter para onde ir, alguns turistas com receios, com medo de não conseguirem voltar aos hotéis. Aguardamos indicações, não sabemos o que aconteceu na nossa casa, não posso subir, a policia não me deixa regressar”, explicou Edgar Silva.

O ex-candidato à Belém referiu ainda que “a situação está sem um controlo efetivo, porque no centro histórico, bem no centro, vários prédios estão a arder junto à igreja de São Pedro”.

Pessoas estão a ser transportadas para o Estádio dos Barreiros

Em declarações também à RTP3, poucos minutos depois da meia-noite, o presidente da Câmara Municipal do Funchal revelou que tinha acabado de mandar evacuar mais um hotel no centro histórico da cidade, o Hotel do Castanheiro onde estavam 170 pessoas que estão a ser transportadas para o Estádio dos Barreiros.

Estamos a tentar salvar vários edifícios do centro do Funchal. A igreja de São Pedro foi atingida na cobertura, e a nossa preocupação está na zona da rua do Castanheiro, de São Pedro e na rua das pretas. Temos ouvido explosões das botijas de gás que estão dentro das casas. A situação está complicada na rua das Pretas. Há aqui casas devolutas, outras antigas, afirmou Paulo Cafôfo.

O autarca do Funchal afirmou que neste momento a prioridade é retirar todas as pessoas daquela zona da cidade: “É preferível prevenir, retirar as pessoas em segurança e tranquilidade, com ajuda da PSP para esta área estar toda segura. Queremos salvar em primeiro lugar as vidas humanas”.

Paulo Cafôfo admitiu que a situação que se vive no Funchal é “muito complexa” e que o incêndio alastra por área florestal e urbana.

Era impensável para nós ontem pensar que estaríamos aqui, em plena baixa do Funchal, a combater chamas em edifícios históricos”, desabafou Paulo Cafôfo.

E avisou: “É muito importante preservar esta área. Se esta zona se descontrolar, toda a baixa da cidade pode ficar em risco”.

O autarca do Funchal revelou ainda que o Hotel Choupana Hills, um luxuoso complexo hoteleiro de cinco estrelas localizado em Santa Maria, “foi totalmente consumido pelas chamas”. As pessoas que lá estavam hospedadas foram também levadas para o Estádio dos Barreiros.

choupana

Hotel Choupana Hills, que foi totalmente consumido pelo fogo

115 homens do continente e 20 dos Açores

Perante o agravamento da situação, o Governo decidiu reforçar a ajuda ao combate aos incêndios na Madeira. Em comunicado enviado às redações, o Ministério da Administração Interna informa que vai “disponibilizar mais 80 operacionais”, para além dos 35 anunciados esta tarde e cuja chegada está prevista para a uma e meia da manhã.

Às 3h30 está prevista a partida de um avião com 40 operacionais (20 do Regimento de Sapadores de Bombeiros de Lisboa e 20 dos GIPs da GNR). Pelas 8h30 da manhã do dia 10, parte um outro voo da Força Aérea Portuguesa com mais 40 operacionais a bordo (20 do RSB de Lisboa e 20 Bombeiros Voluntários), refere o comunicado.

O presidente do Governo Regional da Madeira informou ainda que virá ajuda dos Açores. Vinte homens disponibilizados pelo Governo Regional açoriano. “Queria agradecer a solidariedade nacional e também dos Açores, fico muito satisfeito”, disse o presidente do Governo Regional da Madeira, que revelou que recebeu um telefonema de António Costa e da ministra da Administração Interna.

“É preciso analisar o que está a falhar”

Vítor Freitas, do PS Madeira, em declarações à RTP3, falou num “momento dramático” e elogiou o trabalho dos bombeiros e da comunidade no combate ao fogo. Quando questionado sobre a falta de apoio das autoridades à população, lembrou que “nestas alturas é muito complicado socorrer toda a gente”, mas ressalva que “naturalmente num processo destes há falhas e sentem-se essas falhas no terreno, mas julgo que este será o momento de nos centrarmos naquilo que tem que ser feito para já.”

O socialista disse que “é preciso analisar o que está a falhar e quais são os mecanismos que temos que encontrar para que estas situações não se repitam e para que em casos como este existam meios para socorrer as pessoas que hoje se sentem desapoiadas”. Vítor Freitas disse ainda que o pedido de ajuda devia ter sido feito mais cedo.

O que eu temo mais é que cheguemos a amanhã [quarta-feira] e ainda não seja o dia de reconstruir o que foi destruído pelo fogo”.

O presidente do Governo Regional, que durante a tarde tinha dito que a situação estava “controlada”, admitiu mais tarde que a situação estava “complicada”, com “muitas frentes de intervenção”. O chefe do executivo madeirense disse que “a força do vento trouxe de facto uma situação complicada”, mas garantiu que estava a ser feito o possível para conter os fogos e, sobretudo, salvaguardar a integridade física das pessoas, que é o principal objetivo”. Admitiu que, “com o conjunto de frentes múltiplas e variadas, é muito difícil para os bombeiros estarem em todas as frentes”, mas as autoridades “estão e vão continuar a trabalhar até a situação estar controlada”.

A Câmara do Funchal ativou o plano municipal de emergência, em resposta aos vários focos de incêndio que continuam a destruir casas em algumas zonas altas da principal cidade da Madeira, a apenas três quilómetros do centro histórico. Segundo o Jornal da Madeira, há vários focos ativos e esporadicamente ouviram-se durante a noite explosões que se suspeita serem rebentamentos de botijas de gás. Caminho dos Saltos, Corujeira e Lombos, são algumas das áreas afetadas. Um centro comercial no centro do Funchal foi atingido pelas chamas e nesta altura vão-se ouvindo várias explosões de botijas de gás.

“Cenário dantesco”

O fogo que começou anteontem chegou à zona da igreja de São Pedro, na baixa da cidade do Funchal, depois de ter consumido um edifício devoluto, confirmou à agência Lusa PSP. Um jornalista da Lusa também constatou a situação complicada na zona da Pena, com várias casas a arder, onde três viaturas de uma empresa de construção civil estavam a tentar ajudar e a lançar água sobre as casas.

Também se viram algumas pessoas a abandonar as suas casas no centro do Funchal, levando malas e animais. Os relatos deram conta de um “cenário dantesco” e de uma situação “completamente descontrolada”, com muitos focos ativos espalhados pela cidade, entre os quais o Til, Rochinha, Penteada, sendo audível o som de algumas explosões. A via rápida esteve encerrada, mas, entretanto, reabriu ao trânsito. Condicionadas permaneceram as entradas da cidade, onde o trânsito estava caótico.

O vento forte e as elevadas temperaturas fizeram com que o fogo que lavra nas zonas altas do concelho do Funchal desde a tarde de segunda-feira descesse até ao centro da cidade, provocando caos e pânico entre a população. O trânsito está caótico com muitos congestionamentos na baixa do Funchal, tendo a Polícia de Segurança Pública (PSP) encerrado as entradas da cidade, presenciou a Lusa.

A Lusa constatou que é muito difícil respirar, devido ao tempo quente e ao denso fumo, com as pessoas a usarem máscaras. Têm sido audíveis várias explosões, depois de a situação se ter agravado ao final da tarde. Um vídeo divulgado pelo Diário de Notícias da Madeira mostra uma explosão num edifício no centro da cidade.

Perante a extrema gravidade da situação, o Governo Regional recomendou aos funcionários públicos que trabalham no centro do Funchal que não compareçam no trabalho amanhã.

Às 16h00 a situação estava “controlada”

O presidente da Região Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque, explicou em conferência de imprensa, pouco depois das 16h00, que a situação dos incêndios que deflagraram na segunda-feira na ilha da Madeira está “perfeitamente controlada” e “relativamente consolidada”, apesar de se manterem as condições meteorológicas propícias à propagação do fogo. “O vento vai-se manter com bastante intensidade e as temperaturas vão rondar os 35 graus. Podem diminuir durante a noite, mas a tendência é que se mantenham por volta desse valor. As previsões meteorológicas apontam que só amanhã de manhã é que as temperaturas vão descer 5 a 6 graus.”

Mas a partir das 18h00 tudo piorou. Ao final da tarde, havia várias frentes ativas na zona alta do Funchal e a intensidade do vento dificultava o combate às chamas, que ameaçavam várias casas. As pessoas começaram a sair de suas casas e retiraram as bilhas de gás para evitar explosões. Também um centro comercial no Funchal foi evacuado. As pessoas abandonam as suas casas e levam consigo malas e animais. Os relatos dão conta de várias explosões.

Mais tarde chegou a informação de que dez casas estavam arder na zona da Pena. O fogo chegou depois à zona da igreja de São Pedro, na baixa da cidade do Funchal.

O chefe do executivo madeirense referiu então que seriam mantidos os dispositivos que estão a atuar nos diferentes focos na costa sul da ilha, nomeadamente no concelho do Funchal (Laginhas, Monte, Caminho do Tanque e Corujeira); no concelho da Calheta (zona oeste da ilha), onde se registam duas frentes (Arco da Calheta e Paúl da Serra); e nos Canhas, na Ponta do Sol.

Foi criada uma linha de emergência que deverá complementar o 144. O número é o 926 768 743 e está disponível 24 horas por dia para prestar apoio às famílias afetadas pelos incêndios. O Governo Regional acionou “o Plano de Socorro Social no valor de 163 mil euros para o apoio à reconstrução de habitações destruídas ou danificadas e para a reabilitação de alojamentos.”

174 pessoas receberam tratamento hospitalar

“Balanço das primeiras horas: receberam tratamento hospitalar 174 pessoas e 22 foram sujeitas a tratamento no centro de medicina hiperbárica por problemas respiratórios. Houve um civil na freguesia do Monte que sofreu queimaduras com gravidade. Permaneceu na sua habitação e neste momento essa pessoa vai ser evacuada num avião da força aérea para o serviço de cirurgia plástica do Santa Maria. Uma viatura dos bombeiros de Câmara de Lobos teve um acidente. Houve um bombeiro que teve uma fratura num membro superior e outro tem um conjunto de escoriações. Felizmente estão livres de perigo e foram devidamente tratados”, explicou o chefe do executivo madeirense.

Miguel Albuquerque reforçou a convicção de que se trata de fogo posto. A Polícia Judiciária já deteve ontem um suspeito que tinha antecedentes criminais por fogo posto. O indivíduo deverá ser ouvido pelas autoridades amanhã.

Dois hospitais e um centro de saúde evacuados

Além de várias habitações, foi evacuado o Hospital dos Marmeleiros, esta manhã. O Hospital Dr. João de Almada foi também evacuado ao final da tarde. A hipótese já tinha sido estudada durante esta tarde, mas foi abandonada porque o ar na zona tornou-se mais respirável. Entretanto, o vento mudou de direção e os 300 doentes foram retirados das instalações. O Hospital é uma unidade de cuidados continuados e paliativos, pelo que muitos dos pacientes do hospital estão em condições muito graves e com poucas capacidades de mobilidade. Os doentes foram transportados para a escola Horácio Bento de Almeida. A jornalista do Expresso Marta Caires contou à SIC Noticias que há três frentes de fogo a cercar o hospital e deu conta de chamas num jardim a poucos metros da entrada do edifício.

O Centro de Saúde da Calheta foi evacuado à meia-noite de terça-feira. 20 doentes vão ser transferidos para o Centro de Saúde de Ribeira Brava. O Diário de Notícias da Madeira diz que foram ouvidas explosões nas proximidades.

A autarquia funchalense emitiu um comunicado, na sua página do Facebook, chamando a atenção da população para respeitarem as instruções das autoridades. A Madeira sofreu uma série de incêndios graves em 2012, tendo sido na altura denunciada a inexistência de meios aéreos de combate.

“A situação não é de improviso”, diz Albuquerque

Câmara Municipal toma medidas

A Câmara Municipal está a tomar várias medidas para fazer frente ao incêndio:

  • Semáforos desligados
  • Várias carreiras de autocarros desativadas (20, 21, 22, 28, 93 e 94)
  • Autocarros de turismo proibidos de circular na zona do Monte
  • Várias estradas encerradas
  • Câmara Municipal apela à poupança de água em todo o concelho
  • A recolha de lixo foi cancelada

Em resposta às críticas de que os serviços da região autónoma têm sido alvo, de descontrolo da situação, Miguel Albuquerque garantiu que “a situação não é de improviso”. “As pessoas têm direito a fazer as suas críticas, mas os bombeiros aqui da Madeira são qualificadas, sabem o que estão a fazer, têm competência técnica” e as pessoas “podem ter a certeza que o está a ser feito o combate aos fogos com todos os pressuposto técnicos e da forma mais correta”, disse Albuquerque.

O presidente do Governo Regional explicou ainda que é “impossível atacar todas as frentes”, e que, por isso, “em algumas zonas vamos deixar o fogo prosseguir, em zonas de mato, porque isso não é essencial. O essencial é proteger a vida das pessoas“.

autocarro

Um autocarro de passageiros da empresa de transportes da ilha da Madeira foi totalmente consumido pelas chamadas. O momento foi registado em vídeo por um leitor do jornal regional da Madeira Diário de Notícias. (Imagem: www.dnoticias.pt)

De acordo com o Jornal da Madeira, o incêndio já obrigou ao cancelamento do programa do último dia do Fórum Madeira Global, uma iniciativa sobre emigração entre os madeirenses que decorria até esta terça-feira.

Via rápida, estradas regionais, jardim botânico e edifício da Universidade encerrados. Marítimo cancela apresentação do plantel

A via rápida, a principal artéria da ilha, esteve encerrada por razões de segurança entre a zona de São Martinho e Pestana Júnior, mas já foi reaberta.

Segundo uma nota divulgada pela secretaria regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, a situação está relacionada com o facto de as chamas terem atingido “algumas construções e habitações de um talude sobranceiro ao nó dos Viveiros”.

20 voos desviados ou cancelados

O vento tem sido uma das principais preocupações dos bombeiros, e tem estado a dificultar fortemente o combate às chamas. Devido às fortes rajadas que se fazem sentir na ilha da Madeira, cerca de 20 voos com destino ao Funchal já tiveram de ser cancelados ou desviados.

“Houve alguns voos atrasados, outros divergidos para outros aeroportos desde as 16:00 de ontem [segunda-feira], quando se intensificou o vento, mas a situação já está a voltar à normalidade e hoje de manhã já aterraram vários aviões”, disse à Lusa fonte dos serviços de informação e acolhimento da estrutura aeroportuária madeirense.

A maioria dos 20 aviões que não conseguiram fazer-se à pista do Funchal na tarde e noite de segunda-feira voltaram à sua origem ou então dirigiram-se para Porto Santo, Tenerife, Grande Canária ou Lisboa.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu hoje um “Aviso Amarelo” de vento forte com rajadas da ordem dos 95 quilómetros por hora nos extremos oeste e leste da Madeira, o terceiro mais grave numa escala de quatro e significa “risco para determinadas atividades”.

Para regularizar os voos, a TAP recorreu a um avião Airbus A330. Cerca de 800 passageiros, que esperavam um voo, já partiram para o Funchal ou fazem-no até ao fim da manhã.

A mesma informação refere que, “após o término do trabalho dos bombeiros, os técnicos que se deslocaram para o terreno verificaram a existência de problemas profundos nas coberturas das construções e numa das paredes das moradias”, uma situação que vem inviabilizar a circulação na via.

Também menciona que esta é “uma zona que já anteriormente causou problemas de queda de materiais na via, tendo originado o fecho daquela secção da via rápida, noutras ocasiões”.

Além deste troço, segundo o governo madeirense, estão igualmente encerradas as estradas regionais 103 (entre o Monte e Poiso), a 109 (entre as rotundas dos Viveiros e da Fundoa) e a 209 (entre os Canhas e o Pául da Serra).

Por seu turno, a secretaria regional do Ambiente e Recursos Naturais divulgou que o Jardim Botânico do Funchal está fechado.

Também a estrada florestal das serras de Santo António, entre a Eira do Serrado e o Pico do Areeiro, pelas mesmas razões de segurança, foi encerrada à circulação automóvel.

A Universidade da Madeira decidiu encerrar esta terça-feira o seu edifício da Penteada, “atendendo à qualidade do ar”, uma situação “decorrente dos fogos em desenvolvimento” no concelho e na zona da academia insular.

O Marítimo cancelou a apresentação do plantel que devia acontecer esta quarta-feira.”O Marítimo da Madeira Futebol SAD informa que a apresentação do plantel principal, prevista para esta quarta-feira no Estádio do Marítimo, foi cancelada. Numa altura em que o Funchal e a Madeira se encontram numa situação delicada, devido aos terríveis incêndios que assolam a Região Autónoma da Madeira, o Marítimo não se sente confortável na organização de um evento que se quer de festa”, lê-se no comunicado divulgado no site do clube. O treino desta terça-feira já tinha sido mudado para outro local, já que o estádio onde costumam treinar fica numa das zonas afetadas pelo incêndio.

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