Miguel Poiares Maduro acusou esta quarta-feira o discurso do atual Governo socialista de estar ao nível do discurso “populista” e “demagogo” praticado em países como a Grécia, à esquerda, ou a Polónia e a Hungria, à direita. Numa intervenção feita para os jovens sociais-democratas que esta semana se encontram na Universidade de Verão do PSD, o ex-ministro Adjunto do governo de Pedro Passos Coelho pôs os quatro países no mesmo saco, dizendo que Portugal era neste momento “um caso híbrido de populismo” na Europa.

Defendendo que o discurso que tem sido praticado pelo Governo socialista “não acompanha a realidade”, Poiares Maduro acredita que este novo quadro político onde o PS se aproximou da esquerda abre uma janela de “oportunidade para o PSD” reforçar o seu papel (antes partilhado com os socialistas) de partido que “promove uma democracia e sociedade aberta ao mundo”. E o seu lugar de partido de centro político.

Um partido como o PS, que é defensor de sociedades abertas e é de matriz não populista está hoje deslocado e aliado a partidos de caráter nacionalista cujos discursos não têm adesão à realidade e cavalgam as pulsões populistas”, disse Poiares Maduro.

O ex-ministro e professor no Instituto de Florença notou que há pela Europa quem faça isso do lado da direita e quem faça isso do lado da esquerda. Uma terminologia (esquerda/direita) que, de resto, “já não faz sentido”.

O ex-ministro deu mesmo um exemplo daquilo que chamou o discurso populista do Governo: a relação do executivo com as instituições europeias e a narrativa discursiva que desenhou para passar a mensagem. “Quando a realidade não é a que queremos, o discurso muda. Já não queremos mudar a realidade, basta mudar a Europa. Mas quando vemos que Europa não muda para aquilo que queríamos que fosse, o discurso em vez de falar de soluções passa a ser um discurso do bode expiatório”. Ou seja, “a culpa não é nossa, se a Europa fosse diferente então não teria de ser assim”, rematou.

Para Poiares Maduro, este é o exemplo de discurso “demagógico” e “improdutivo”. “Uma política com este discurso transforma-se em populismo e isso não oferece soluções, apenas aponta o dedo a culpados”, disse, acrescentando que aquilo que chamou de narrativa populista do atual Governo do PS apoiado pelo PCP e BE serve apenas para “identificar receios e medos, alimentando-se da frustração política que isso vai causar aos cidadãos”.

O tema da “aula” era “ser social-democrata hoje”, tendo Poiares Maduro passado em revista os desafios que o PSD enfrenta na atualidade para manter a sua matriz ideológica e para reconfigurar um novo contrato social, com mais justiça e maior capacidade de mobilidade social. Respondendo às questões dos jovens sociais-democratas, o professor universitário defendeu que o partido “não perdeu identidade política” quando teve de adotar medidas duras de austeridade e que prova disso são os dados, que citou, dos índices de desigualdades sociais no país. “A desigualdade não aumentou com a austeridade, até desceu ligeiramente, porque os cortes foram maiores para quem ganhava mais”, defendeu.