Certo. Não é bem, bem a mesma coisa. Casilla não é Makaridze; Danilo não é Sagna, Pepe e Ramos não são Marcelo e Galo, e Nacho não é Jander; Schons, Neto e Cauê não são Kroos, Kovacic e Modric; Nildo, Dramé e Roberto não são Bale, Ronaldo e Morata. Sim, é uma verdade la paliceana. O Real Madrid — o Real que este sábado, na La Liga, venceu (5-2) o Osasuna — não é o Moreirense. Mas é o próximo adversário do Sporting, quando na quarta-feira se defrontarem para a Champions no Santiago Bernabéu. Uma coisa é certa: o Sporting vai a Madrid de “barriguinha cheia”. Em Alvalade não só venceu (3-0) o Moreirense, como recuperou a liderança ontem perdida (à condição) para o Benfica e fez a exibição valer cada cêntimo (e não são poucos!) investido no bilhete. Sim, é verdade: só os fez valer na segunda parte, só os fez depois da expulsão de Neto nos visitantes. Mas fez, numa tarde de (muitas) estreias – algumas delas a “molhar a sopa”.

Do primeiro ao último minuto, nunca ou raramente se viu o Moreirense desassossegar a tarde a Rui Patrício. Mas, verdade seja dita, o Sporting também tardou a fazê-lo com o guarda-redes dos visitantes, Makaridze. O que mais se via era o Sporting a atacar e o Moreirense “na retranca”, à espera de um conta-ataque — que não chegava, diga-se. Mas só se via o Sporting a atacar pelas alas, com Bruno César e Campbell à esquerda, Schelotto e Gelson à direita. Pelo centro, nada. E “nada” porque o Moreirense ergueu aí um “muro”, com Cauê, Neto, Schons, Dramé e Nildo todos alinhadinhos. Por isso, também por isso, o Sporting era useiro e vezeiro de cruzar para a área. Cruzar looooongo. Bas Dost é alto, um “pinheiro”, mas não chegava à bola; os centrais do Moreirense estavam concentradíssimos, sócio.

Só perto do quarto de hora (12′) se viu o primeiro remate do encontro. E foi perigoso, ó se foi. Makaridze teve que se esticar todo para defender o remate cruzado (e não muito forte) de Schelotto, entrado na área pela esquina direita. E tudo começou em Gelson, que recebeu a bola no fundo do campo, atraiu a si meio Moreirense e, com isso, criou espaço para que o lateral ítalo-argentino subisse pelo flanco, entrasse na área e recebesse o passe do próprio Gelson. O resto é o que se sabe.

Não tardaria – e ainda com a tarde solarenga em Alvalade – a chegar o primeiro golo: 27′. E foi de Gelson, um “diabrete” para a defesa do Moreirense na primeira parte; aliás: em ambas as partes. A bola estava à esquerda, quase no fundo do relvado, em Bruno César. Não cruzou, Bruno, mas passou para trás, para a esquina da área e para William. Este, recebeu-a, levantou a cabeça, olhou para a área, viu Bost e Gelson a lutar na área com os centrais do Moreirense lá no centro, a “brincarem” com eles ao fora-de-jogo, e foi lá que colocou a bola, precisa, tensa. Fora-de-jogo não havia. Gelson foi mais veloz que Bost a atacar a bola, recebeu-a, com a receção (orientada) tirou o guarda-redes Makaridze da frente, e desviou a bola para dentro da baliza.

Do Moreirense só se viu perigo de livre. Ele tem uma apelido a puxar ao alemão, mas é brasileiríssimo, do Rio Grande do Sul: Alan Schons. O livre era frontal à baliza, colado à entrada da área, ligeiramente descaído para a esquerda, e a pedir um pé direito que o batesse. Chegou-se à frente o de Schons, rematou (32′) fortíssimo — a sério: foi uma “bomboca” –, na direção do ângulo superior direito da baliza de Patrício — que nem viu o remate partir; limitou-se a levantar os braços e acreditar no divino –, mas errou a direção pretendida por um palmo.

Até final da primeira parte não há muito o que contar, mas há para contar a expulsão (34′) do médio Neto (Moreirense), que viu o segundo amarelo — depois de uma entrada dura sobre William — e foi tomar banho mais cedo.

A defesa do Moreirense recolheria ao balneário, mas “ficou” por lá. Logo na saída de bola depois do intervalo, esta recua até à defesa, cai nos pés de Diego Galo, o central atrapalha-se, vê Alan Ruiz roubar-lhe a bola, o “furto” cai em Bas Dost, o holandês dribla Marcelo Oliveira e, dentro da área, remata cruzado de pé esquerdo. Giorgi Makaridze defendeu. Logo, logo a seguir, Adrien recebe um passe (vindo da direita e de Gelson) à entrada da área, o capitão só podia rematar de canhota, e foi de canhota que rematou. O remate foi forte, colocado ao poste esquerdo e a meia altura, mas o guarda-redes do Moreirense voltou a defender. Ufffff!

O Sporting, pacientemente, testava a paciência à defesa do Moreireinse. E tão pica-miolos foi, que marcou. 52′. Tudo simples. Mais simples é difícil. E conta-se assim: à direita do ataque, Alan Ruiz puxa da canhota atrás, coloca a bola redondinha no centro da área, Joel Campbell faz-se ao cruzamento, o central Diego Galo não, e o costa-riquenho (quase sem precisar de saltar) desvia a bola de Makaridze. O Sporting tem a vitória “no bolso”.

Era tudo? Não. Aos 56′, mais uma estreia a marcar: Bas Dost. Gelson desmarcou Schelotto à direita, o ítalo-argentino cruzou sem oposição que se visse, colocou a bola no primeiro poste, Dost atacou-a, Diego Galo também, a bola não seguiu logo para a baliza, esbarrou no central do Moreirense, mas ficou “à mão de semear” para o holandês. E ele, com as pernas longuíssimas que tem, só precisou de esticar a direita para a desviar à saída de Makaridze. Contas feitas: 3-0 para o Sporting.

Agora sim: a vitória estava “no bolso”. Mas o Sporting ainda tentou ampliá-la. Não fosse Makaridze e a contagem seria outra, mais “pesada”. Tudo veloz, tudo ao primeiro toque: William desmarca Bruno César pela esquerda fora, o brasileiro sobe e cruza para a área, Bost não remata de primeira, toca antes de calcanhar (e de primeira) para trás, recebe-lhe o passe Marković, que tão depressa o recebe, tão depressa entrega a bola em Alan Ruiz, à entrada da área. Ruiz é canhoto, mas coube-lhe fazer o remate (74′) à baliza com o pior pé, o direito. Um remate forte, colocado ao poste direito, mas que o guarda-redes georgiano do Moreirense foi desviar para o lado.

Die Meister
Die Besten
Les grandes Équipes
The Champions!

O Real Madrid (e o hino da Liga dos Campeões) vinha ao virar da esquina. E era altura de gerir. E estrear. Saiu Gelson e entrou Marković; saiu Adrien (muito aplaudido — está “perdodado” depois de ter pedido para sair para o Leicester) e entrou Elias, quatro anos depois; saiu Alan Ruiz e entrou André. Ao contrário de Dost e Campbell, nenhum dos estreantes se estreou a marcar.

O que também é estreia é a quarta vitória do Sporting no campeonato. Não pela liderança que recuperou. Não. É estreia a quarta vitória porque nunca (desde que a vitória no campeonato vale três pontos) o Sporting venceu os quatros primeiros jogos. Nunca. Agora, venha de lá o Ronaldo – que até marcou ao Osasuna e é só um booooocadinho mais certeiro que Dramé. Oxalá não seja na quarta-feira.