O Estado moçambicano foi forçado a intervir na quarta maior entidade bancária do país, o Moza Banco, que tinha como um dos principais acionistas (49%) o Novo Banco. O Banco de Moçambique alertou, em comunicado, que “a situação financeira” do Moza Banco “tem vindo a degradar-se de forma insustentável”, o que tornou “necessário reforçar as medidas extraordinárias de saneamento”.

No mesmo documento, divulgado na última sexta-feira, o banco central de Moçambique assegurou “ao mercado, aos clientes e ao público em geral que o Moza Banco [que é detido maioritariamente pela Moçambique Capitais (51%)] continuará a funcionar dentro da normalidade.

A intervenção no banco, como explica o comunicado, passa por “suspender, com efeitos imediatos, os membros do Conselho de Administração e da Comissão Executiva do Moza Banco”, bem como “designar um Conselho de Administração provisório, presidido por João Filipe Figueiredo, com efeitos imediatos, cujo mandato durará até à normalização da situação.”

Desde 2015 que é noticiada a intenção do Novo Banco alienar esta posição no Moza Banco. Em maio desse ano, havia uma sociedade gestora interessada em comprar essa participação: a Atlas Mara. O negócio seria feito com Robert Diamond, fundador da Atlas Maras e ex-CEO da Barclays, que em 2012 tinha sido despedido na sequência do escândalo da manipulação do mercado de taxas de juro. Nesse momento, porém, como o Novo Banco estava em processo de venda, a entidade estava impedida de alienar ativos.