O CEO e fundador da Tesla, Elon Musk, está apostado em quebrar o enguiço. O Model S atrasou-se e o Model X também. Nenhum dos modelos foi entregue nas datas previstas aos seus clientes. Com o Model 3 a coisa pode complicar-se ainda mais, uma vez que a procura pelo sedan eléctrico é grande. Muito grande.

Quase como se fosse um gadget, o automóvel compacto tornou-se viral de uma hora para a outra. Antes mesmo de ser apresentado já tinha garantido 100 mil encomendas, número que quadruplicou em poucos dias, ainda que existissem regras para fazer as reservas (obrigando, por exemplo, a um sinal de 1.000 dólares e a um limite de dois pedidos por cliente) e que poucos detalhes acerca do carro fossem ainda conhecidos. Mas já lá vamos.

O interesse despertado pelo Model 3 obrigou a rever o plano de produção da fábrica de Fremont/CA, de onde têm de sair 500 mil carros em 2018. Para cumprir este objectivo, a unidade produtiva tem de ser ampliada e, segundo algumas fontes, é isso que está a tirar o sono ao empresário norte-americano. Para garantir que não há derrapagens nos trabalhos e, logo, nos prazos de entregas, Musk assentou praça na fábrica e levou uma almofadinha para poder fazer uma soneca, livre do pesadelo de eventuais atrasos.

Luz verde esta semana

Para termos uma ideia do “pesadelo” que atormenta o fundador da Tesla, a marca espera produzir este ano 80 mil veículos. A necessidade de ampliar a fábrica de Fremont é flagrante, indispensável e decisiva. Até porque as vendas da marca têm vindo a subir.

No complexo que chegou em tempos a abrigar a NUMMI, uma joint-venture entre General Motors e a Toyota, terão de ser construídos 12 novos edifícios, estando o arranque das obras dependente da autorização da administração municipal de Fremont, o que deve acontecer durante esta semana.

Com a expansão, crescerá não só a área de construção (de 490 mil m2 para 917 mil), mas também a força laboral. Hoje em dia, a Tesla emprega 6.210 funcionários em Fremont, mas quando as obras terminarem deverão ser 9.315. Só assim, juntamente com a Gigafactory, é que a marca poderá alcançar a meta de entregar 500 mil automóveis por ano.

Concorrência de olho aberto

No mercado automóvel, os azares de uns podem muito bem ser a sorte de outros e Musk terá bem presente o quão pesada poderá ser a factura de hipotéticos atrasos na entrega do Model 3. A concorrência (também) não dorme e, claro, está apostada em cativar clientes interessados naquilo a que se pode chamar “a segunda onda de eléctricos” – aqueles cuja autonomia passou praticamente para o dobro, fruto do novo alcance das baterias de lítio. Só o Renault Zoe, por exemplo, quase duplicou a sua autonomia e o Opel Ampera-e foi a Paris anunciar um alcance de até 500 km com uma só carga. Sendo que, neste momento, no mercado norte-americano, o Model 3 já foi inclusivamente batido, neste domínio, pelo rival Chevrolet Bolt.

Musk, entretanto, já tratou de tranquilizar a clientela, assegurando que do protótipo para a versão final de produção muita coisa vai mudar. Ou seja, os 400 mil interessados no Model 3 fizeram uma espécie de aposta no desconhecido. Eventualmente, confiantes na imagem de inovação e de luxo que a marca já granjeia.

À partida, terão adquirido um utilitário com um estilo próximo de um coupé, com o tecto panorâmico a ser integrado no vidro traseiro e o interior a chutar qualquer resquício de instrumentação analógica. Nada disso. A fazer fé no protótipo, e acreditando que neste ponto nada mudará na versão de produção, o Model 3 exibirá o centro um ecrã de 15”, onde estarão concentrados todos os comandos do veículo. A autonomia, essa sim, espera-se que mude. Para maior. É que quando o sedan eléctrico foi revelado propunha 346 km – valor claramente desactualizado.

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