Em 2014 Ousmane Dembélé era só um miúdo cheio de talento. Marcou 15 golos em 20 jogos nos juniores do Rennes, um clube com uma bela escola de futebol. Na seleção francesa jogava pelos sub-17 e sub-18. O The Guardian na altura dizia que era umas das 40 pérolas do mundo. Os olheiros de Manchester City, Atlético Madrid, Chelsea e Juventus já andavam por perto, quais tubarões que sentem o cheiro a craque — o Benfica terá tentado contratá-lo em 2015, mas a proposta terá sido curtinha. Ele dizia que era rápido e bom no drible. Quem o conhecia dizia que era muito mais do que isso, que já trabalhava como gente grande. Em 2016 podemos confirmar tudo: aos 19 anos, Dembélé é uma das estrelas do Borussia Dortmund e até já se estreou pela seleção principal gaulesa.

Em 2015 o diário inglês escolheu 50 craques, entre eles Pedro Pereira, um defesa português da Sampdoria. Mais curiosa é a presença de um tal de Ianis Hagi, filho de um tal de Gheorge Hagi. Ianis nasceu no ano em que Gheorge brilhou pela última vez num Campeonato do Mundo: 1998. O Mundial de França foi a despedida do genial 10 romeno, que tinha coisas de Maradona — a Roménia caiu nos oitavos vs. Croácia (0-1). Quase vinte anos depois, Ianis está aí. Deu nas vistas ao estrear-se aos 16 anos pelo Viitorul Constanța e agora deu o salto para a Fiorentina. O seu pai também jogou na Serie A: Brescia, 1992-1994.

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É por isso que tem piada ir ver as previsões do futuro que se adivinha para os craques e depois ver o que realmente aconteceu. É sedutor brincar à máquina do tempo. Lembra-se de Freddy Adu? Uff, acontece… A nova lista do The Guardian junta 60 nomes e há três meninos portugueses: José Gomes, Diogo Dalot e Domingos Quina.

O primeiro é porventura o mais conhecido. Já se estreou na principal equipa do Benfica, com apenas 17 anos. É avançado, gosta do Manchester United e tem Thierry Henry como ídolo, contou nesta entrevista ao Observador, na véspera da final do Europeu sub-17 conquistado pelos portugueses (foi o melhor marcador do torneio, com sete golos). “Zé Golo” nasceu na Guiné-Bissau e chegou a Lisboa aos 13 anos. Esteve quase a assinar pelo Sporting, mas como não o deixaram ficar na academia, preferiu seguir viagem e tentar outra sorte. O Benfica acabaria por bater à porta e ele festejaria muitos golos de vermelho. Em setembro garantiu um lugar de destaque na história do clube da Luz: tornou-se no terceiro jogador mais jovem a atuar na Primeira Divisão.

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Diogo Dalot e Domingos Quinta viveram a mesma glória de José Gomes, no Azerbaijão, com a conquista do Campeonato da Europa sub-17 diante da Espanha, imitando o que a geração de Moutinho, Coimbra e Veloso fizera em 2003. Segundo o The Guardian, Dalot foi o mais promissor dos quatro Diogos com que Portugal venceu o Europeu — marcou o único golo português da final (1-1). O lateral direito é um rapaz incansável, que faz o vaivém com facilidade, ajudando o ataque a baralhar as contas das marcações alheias, descreve o diário inglês. Treinou pela primeira vez com os seniores do FC Porto com 16 anos, chamado por Julen Lopetegui.

Domingos Quina, natural da Guiné-Bissau, ainda tem 16 anos mas já sabe o que é estar entre os grandes. O rapaz já se estreou pelo West Ham de Slaven Bilic, onde chegou depois de representar o Chelsea durante quatro anos. Este é daqueles casos em que filho de peixe sabe nadar. Domingos é filho de Samuel Quina, um senhor de 50 anos que jogou no Benfica entre 1983 e 1993. Samuel deu continuidade à carreira em clubes como Odivelas, Vitória de Guimarães, Tirsense e Fanhões, onde pendurou as botas. Samuel era defesa, Domingos é médio ofensivo e gosta de levar a bola para a frente.

O The Guardian conta que o miúdo tem pés rápidos, serenidade e agilidade. O corpo é mais modesto, pequeno e magro, como o do pai, que ganhou quatro campeonatos e perdeu a tal Taça dos Campeões Europeus para o Milan de Arrigo Sacchi e, claro, dos três holandeses (1990) — Ruud Gullit, Frank Rijkaard e Marco van Basten. O que deseja Quina? Fazer carreira na Premier League.

Nesta lista em que todos, todos nasceram em 1999 destaca-se a presença de Gianluigi Donnarumma, o guarda-redes italiano que será o sucessor natural de Gianluigi Buffon. O garoto chegou à baliza do Milan com apenas 16 anos e à da seleção com 17. “Ele pode ter uma carreira extraordinária”, disse Buffon. “Já mostrou, ao estrear-se pelo Milan aos 16 anos, que consegue aguentar a pressão.” Se Buffon o diz…

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