O artista mais explosivo da China, Cai Guo-Qiang, está de volta e com o seu projeto mais ambicioso até à data. Uma escada, com cerca de 500 metros de altura, rumo ao céu feita — sem surpresa — de fogo.

O trabalho de Cai Guo-Qiang é, agora, apresentado no documentário “Sky Ladder: The Art of Cai Guo-Qiang“, dirigido por Kevin Macdonald (realizador de “O Último Rei da Escócia”) e produzido por Wendi Murdoch, que foi lançado pelo Netflix, a 14 de outubro deste ano.

O documentário, apresentado no London Film Festival, mostra a requintada arte feita com pólvora de Cai, que segundo o artista explora a filosofia oriental e várias questões sociais contemporâneas.

Com acesso ao estúdio de Cai, o realizador chegou mesmo a tempo de ver o artista cumprir a ambição da sua carreira: atear fogo a uma escada — uma estrutura delicada, entrelaçada em pólvora, suspensa no ar por um balão gigante sobre a água, ao largo de Quanzhou, na China.

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Foi numa manhã de verão, pouco antes das 5h00, que Cai desencadeou a sua mais recente criação com a sua família e amigos a assistir. Era a concretização de um projeto que demorou cerca de 21 anos a ser preparado.

A avó do artista também assistiu ao momento. A mulher que salvou a sua sala de estar quando Cai, ainda jovem, meteu, acidentalmente, ateou um lona em chamas numa das suas primeiras experiências com pólvora. Depois de concretizado o projeto, Cai disse à avó: “Podes voltar a dormir agora”.

Após algumas tentativas falhadas, em Bath (1994), Shangai (2001) e Los Angeles (2012), o ‘sonho’ do artista acabou por ser concretizado em casa, na sua cidade natal.

“Escutar aquele som, cheio de poder e grandeza… É incrível, incrível, incrível” disse o artista à CNN.

É notório o prazer que Cai retira do seu trabalho, bem como o alívio quando tudo segue conforme o plano. Dele e da sua família. É que trabalhar com pólvora é um risco… A mãe do artista, olhando para trás, admite ironicamente que “estas pessoas (Cai e a sua equipa) têm passado por alguns dias difíceis”.

O artista, responsável pelo espetáculo de fogo-de-artifício dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, sabe o risco que corre pela sua arte. No início deste ano disse à CNN:

A obra de arte mais poderosa acontece quando existe medo”.