A Associação de Turismo de Cascais (ATC) vai propor à câmara municipal a aplicação de uma taxa turística de 1,5 euros por noite que, no total, deverá render 1,8 milhões de euros aos hotéis da região, avança o Diário de Notícias. A proposta não tem o apoio do setor, que teme que venha a afastar os turistas do município. Cascais registou no ano passado o melhor resultado de sempre em número de dormidas.

A taxa terá sido proposta por Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais e da própria ATC. De acordo com o jornal da indústria do turismo, o Publituris, Carreiras irá para isso convocar uma nova Assembleia Geral da ATC. O presidente mostrou-se, no passado, contra a aplicação de uma taxa turística sobre as chegadas a Lisboa, uma medida que considerou “medieval”. “É inconcebível como um presidente de câmara decide intervir sobre câmaras vizinhas. Isso é algo que só existia no tempo medieval”, afirmou em 2014 à Agência Lusa.

Este cenário apenas contribui para um maior mal-estar entre os hoteleiros, que garantem que não foram ouvidos pela associação. José Gomes Ferreira, presidente da Associação Regional de Hoteleiros da Costa Estoril, Sinta, Mafra e Oeiras, que esteve reunida na semana passada com Carreiras, disse ao Publituris que medida foi deliberada “contra a firme oposição dos hoteleiros e alojamento local do Concelho de Cascais, aprovando tal proposta, cujos únicos penalizados seriam precisamente os hoteleiros e alojamento local”.

Fonte hoteleira garantiu também ao DN que “o setor não foi ouvido nem foram realizados estudos preparatórios sobre o impacto”, sublinhando que foi enviada uma “convocatória para uma assembleia geral extraordinária, dias antes”, onde não se “detalhavam os moldes desta aplicação”. Além disso, os hoteleiros do município não sabem se será criado um fundo de desenvolvimento turístico, semelhante ao que existe em Lisboa.

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Segundo o DN, a Associação dos Diretores de Hotel está a trabalhar com outros organismos no sentido de perceber qual será o impacto da taxa na receita e na procura por parte dos turistas. Caso esta ande para a frente, deverá render 1,8 milhões de euros adicionais, que irão reverter diretamente para os cofres camarários.

Das 32 unidades hoteleiras do concelho, 26 já se mostraram contra a cobrança da taxa aos turistas. Entre os mais de 600 alojamentos locais, 90% também rejeitaram a iniciativa.