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Marco António é o novo número dois de Passos Coelho (outra vez)

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Ex-autarca de Gaia era a escolha mais institucional. Passos opta por não fazer mudança com maior simbolismo político, como seria a passagem de Maria Luís a número dois. E mantém "hierarquia alfabeto"

O Conselho Nacional do PSD reúne esta quarta-feira à noite em Lisboa. Marco António será número dois, pelo menos, até 6 de dezembro

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Passos Coelho já escolheu o seu novo número dois: Marco António Costa vai assumir a primeira vice-presidência do PSD a partir de 31 de outubro. Com a saída de Jorge Moreira da Silva no final do mês, o lugar será assumido pelo antigo autarca de Gaia e “homem do aparelho” laranja, confirmou ao Observador fonte próxima da direção do PSD. Passos não precisa de ratificar esta escolha na reunião do órgão máximo entre congressos (o Conselho Nacional) que decorre esta quarta-feira à noite, em Lisboa, já que Marco António era quem se seguia na hierarquia. Quanto a novas mudanças na direção social-democrata, a ocorrerem, serão no Conselho Nacional seguinte, a 6 de dezembro.

Marco António Costa já tinha sido número dois de Passos Coelho (mais ou menos ex aequo com Jorge Moreira da Silva, que era o primeiro vice) quando foi coordenador da comissão política e porta-voz do partido nos anos em que o PSD esteve no Governo. Foi ele que ocupou o gabinete do líder na sede do partido, até Passos regressar à oposição.

O presidente do PSD seguiu o caminho mais simples. Numa sequência estritamente estatutária, o sucessor seria Marco António Costa, já que é o terceiro nome da direção de Passos Coelho. Quando se colocou a saída de Moreira da Silva, um dirigente nacional do PSD explicou ao Observador que esta decisão “tinha a vantagem de ser vista como um caminho institucional: sai o número dois, naturalmente o número três ocupa o lugar“. Mais do que isso, acrescentou o mesmo social-democrata, no caso de ser Marco António a subir, “ainda ficava com um vice-presidente que o ajudava a ter mão na estrutura nas autárquicas”. Em 2013, com Passos Coelho no Governo, foi Marco António a fazer a chamada “volta do líder” e a visitar as autarquias de praticamente todo o país.

Maria Luís Albuquerque chegou a ser apontada como opção, que parecia ganhar força com todo o destaque que teve no debate que tem envolvido o Orçamento do Estado para 2017. Até porque havia um senão à subida de Marco António a número dois: o processo que decorre no Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto desde maio de 2015. Embora nunca tenha sido constituído arguido, o inquérito — aberto na sequência de acusações de nepotismo e tráfico de influências feitas por um ex-dirigente do PSD/Porto — também ainda não foi arquivado. O impacto negativo que esta situação pode trazer é um risco, mas Passos Coelho segue a sua via institucional.

Marco António revela “indiferença face a matérias de hierarquia”

A estratégia de Passos Coelho nesta matéria é aproveitar o facto da saída efetiva de Jorge Moreira da Silva ser só a 31 de outubro para desvalorizar a questão e comunicar ao partido (tanto aos conselheiros como aos membros da comissão política) que a substituição não está, para já, na agenda. O timming da primeira versão desta notícia (publicada às 17h03) irritou o líder do partido que, na reunião da Comissão Política Nacional — esta quarta-feira à tarde — fez vários reparos à fuga de informação. No entanto, só o facto de não tomar qualquer decisão na reunião desta noite é, só por si, uma decisão. Sem alterar a hierarquia da direção, Marco António Costa é o primeiro vice-presidente a partir de 31 de outubro e, pelo menos, até 6 de dezembro, data prevista para o próximo Conselho Nacional.

Também o vice-presidente, Marco António Costa, sem desmentir a notícia, enviou uma nota ao Observador em que diz que a mesma é “especulativa e assente numa fonte que seguramente sabe mais do assunto que eu próprio e o presidente do PSD”. Marco António afirma ainda que “já é conhecida a minha indiferença relativamente a estas matérias de hierarquia, na justa medida que por regra, sem exceção, o meu empenho e dedicação às funções que assumo não está dependente deste tipo de pormenores.”

A forma como gosta de equiparar todos os vice-presidentes nota-se na maneira como vai promovendo uma grande rotação dos seus vice-presidentes quando o representam em ações pelo país ou quando fazem declarações na sede do partido. No último congresso, embora tenha colocado Jorge Moreira da Silva como primeiro vice-presidente, Passos Coelho optou por fazer com que, na estrutura da sua direção (comissão permanente), a ordem hierárquica tivesse a sequência do alfabeto, como se pode verificar na lista eleita no Congresso de abril:

  1. Jorge Moreira da Silva
  2. Marco António Costa
  3. Maria Luís Albuquerque
  4. Sofia de Sequeira Galvão
  5. Teresa Leal Coelho
  6. Teresa Morais

A saída de Jorge Moreira da Silva — que a 31 de outubro vai ocupar o cargo de diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE — abriu também uma vaga no órgão de cúpula do partido. Passos fica com cinco vice-presidentes e estatutariamente pode ter seis. Resta saber se, quando e quem poderá ocupar essa vaga. Tem sido também regular a presença do coordenador autárquico, Carlos Carreiras, e do presidente do conselho estratégico, José Matos Correia, nas reuniões da comissão permanente, ganhando Passos Coelho conselheiros políticos na sua cúpula, já que ambos o tinham acompanhado na direção entre 2014 e 2016.

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