As polícias espanhola e francesa detiveram, esta manhã de sábado, no sul de França, aquele que acreditam ser um dos últimos líderes do grupo separatista basco ETA. Mikel Irastorza foi detido em casa, numa operação que ainda não terminou e que poderá resultar em mais detenções. Foi também detido o casal que o albergou naquela residência.

Segundo o jornal francês Libération, Irastorza o suspeito foi detido em Ascain, nos Pirinérus Atlânticos Pyrénées-Atlantiques, refere um comunicado do Ministério do Interior espanhol. A operação, que contou com a colaboração das polícias francesa e espanhola, visava atingir a “direção” da estrutura e poderá resultar em mais detenções, avisou o ministério.

Com Irastorza, suspeito de gerir o armamento da organização e de poder estar a negociar a entrega de armas, foi detido o casal que o albergava em território francês: um espanhol de 59 anos e uma francesa de 56. As autoridades ainda vão tentar perceber se tinham alguma intervenção na atividade da organização.

Segundo a imprensa espanhola, Irastorza é um “desconhecido” a nível criminal, a quem não são conhecidos “delitos de sangue”, como descreve o VozPopuli. Ou seja, não tem qualquer mancha no registo criminal nem é suspeito de estar envolvido em qualquer crime de sangue. Em 2015 foi ele quem subiu ao topo da organização para substituir os dois líderes David Pla e Iratxe Sorzabal. O casal foi também detido em França, em setembro daquele ano, suspeito de apoiar a organização e e os seus presos. .

Os serviços secretos espanhóis já o tinham referenciado em 2012 como membro integrante da direção, mas depois da detenção de Pla e Sorzabal, terá sido ele a assumir as funções políticas e logísticas da organização terrorista que nos últimos anos se reduziu à sua direção e a uma dezenas de elementos — e que foi agora, mais uma vez, o principal alvo desta operação. Irastorza foi representante do Fórum de Debate Nacional, uma organização que tentava agrupar várias forças nacionalistas dispersas, todas com o intuito de ver o País Basco declarado independente. Foi também dirigente do Ekin, o braço político da ETA que anunicou a sua dissolução em 2011, incorporando-se na organização terrorista.

Esta é, assim, a sétima detenção feita pelas autoridades desde que a organização renunciou à violência e anunciou ter cessado a sua atividade armada, em 2011. Antes dele foram detidos Pla e Sorzaba e Iñaki Reta de Frutos e Xabier Goienetxea, todos em França em 2015. Três anos antes, em 2012, também em França, tinha sido capturado Oroitz Gurruchaga Gogorza. Também nesse ano, a polícia francesa deteve em Lyon Izaskun Lesaka, considerada responsável pelas reservas de armas e explosivos.

A ETA foi fundada em 1959 e é tida como a responsável pela morte de mais de 800 pessoas. Lutam pela independência do país Pasco. Há cinco anos que o grupo renunciou a violência, mas recusa render-se e dissolver-se como exigem as autoridades.