Os sete militares do 127º curso de Comandos detidos esta quinta-feira na sequência da investigação sobre as mortes dos instruendos Hugo Abreu e Dylan Silva estão indiciados pela prática de crimes de abuso de autoridade e ofensa à integridade física. De acordo com o despacho do Ministério Público, procuradora considera que militares em causa moviam-se por “ódio patológico e irracional contra os instruendos” e consideravam-nos “pessoas descartáveis”. Procuradora diz ainda que médico responsável pelo grupo dos Comandos esteve ausente da prova num dia de excessivo calor.

No despacho do Ministério Público, citado pelo jornal Expresso, a procuradora Cândida Vilar, que coordena a investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, refere que os sete militares detidos ontem eram “movidos por um ódio patológico, irracional contra os instruendos, que consideram inferiores por ainda não fazerem parte do Grupo de Comandos, cuja supremacia apregoam, à gravidade e natureza dos ilícitos”. Por esta razão o DIAP de Lisboa entende que há “perigo de continuação da atividade criminosa e de perturbação do inquérito”, razão pela qual procedeu à detenção.

No mesmo despacho, acrescenta o Correio da Manhã, a procuradora dá conta de que o capitão-médico que estava responsável pelos Comandos naquele dia, o dia da ‘Prova Zero’ do 127º curso, pôs as vítimas a rastejar debaixo de 40º C e depois manteve-se 16 horas ausente da prova. Terá sido durante esse período que começaram os primeiros desmaios motivados pelo excesso de calor e pela pouca água que podiam beber. Miguel Domingues faz parte do leque de sete detidos na quinta-feira.

Segundo aquele jornal, o médico, Miguel Domingues, estava destacado para aquele exercício em Alcochete mas esteve ausente do treino entre as 21h30 do dia 3 de setembro e as 11h do dia 4, voltando a sair às 19h desse dia, quando 21 instruendos estavam na enfermaria. Dois deles, Dylan Silva e Hugo Abreu acabariam por morrer. Segundo o despacho do Ministério Público, citado pelo Correio da Manhã, o médico terá ainda mandado dois comandos rastejar até à ambulância com o propósito de causar lesões físicas e neurológicas. O óbito de Hugo Abreu foi declarado às 21h45 do dia 4, pelo INEM.

Esta quinta-feira, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, reiterou a determinação do Governo e do Exército em apurar responsabilidades no caso da morte dos dois comandos, mas rejeitou que a detenção dos sete militares agora indiciados seja vista pela opinião pública como uma condenação prévia. “Não acredito que nenhum responsável político deixasse de adotar, perante os factos que são conhecidos, a mesma determinação que já tive oportunidade de manifestar publicamente”, disse Azeredo Lopes à margem de uma visita que realizou esta quinta-feira a São Tomé e Príncipe.

Neste momento, decorrem duas investigações em paralelo: uma da Ministério Público e outra interna, no Exército. Além destas duas, o Exército está também a investigar as condições em que decorrem os cursos daquela força especial. Os sete arguidos detidos esta quinta-feira juntam-se a dois enfermeiros, que já tinham sido constituídos arguidos anteriormente, mas que não estão detidos.

O caso remonta a 4 de setembro, dia em que o militar Hugo Abreu morreu depois de um exercício no treino dos Comandos. Outro militar, Dylan da Silva, foi transferido para o hospital no mesmo dia, e viria a morrer uma semana depois, à espera de um transplante hepático.

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