A pergunta é dirigida a Juan Antonio Pizzi, em Outubro 2012, após um bis de Pizzi em Camp Nou durante o Barça-Deportivo (5-4).
Já ouviste falar de Luís Miguel Afonso Fernandes?
Soube da existência desse Pizzi há coisa de um ano. Uma rádio de Espanha telefonou-me e contaram-me a história. Ele era adepto do Barcelona quando tinha 6/7 anos. Nessa altura, era comum os portugueses serem do Barcelona. Jogavam lá o Luís Figo, o Fernando Couto e o Vítor Baía. O miúdo gostava do meu estilo, comprou a minha camisola e levou-a para todo o lado. Então todos o conheciam lá no bairro por Pizzi. A alcunha ficou.
E já falaste com ele?
Ainda não, ainda não. Mas tem nome para jogar bem e triunfar no futebol. Quando falarmos, vai ser engraçado. Para início de conversa, vou propor-lhe direitos de autor, percentagem por venda de camisolas e mais umas coisas importantes. Agora a sério, é gratificante saber que deixei uma marca no futebol. Ver que um miúdo sentiu admiração por ti é inexplicável. Está claro que isso só aconteceu porque jogava num clube de transcendência mundial como o Barça.

Luís Miguel Afonso Fernandes é Pizzi, o novo melhor marcador do Benfica no campeonato 2016-17, com o bis ao Moreirense na vitória sem espinhas por 3-0. Ao todo, já acumula cinco golos, mais um que Mitroglou, o único ausente no onze de Rui Vitória em relação ao surpreendente 3-3 com o Besiktas, na quarta-feira. Sim, Pizzi joga cá atrás, na posição oito, como se fosse Luís Miguel Afonso Fernandes. Quando se aventura por ali fora, na posição nove, o grau de eficácia é enorme,
à imagem de Juan Antonio Pizzi. É ele o abre-latas de serviço.

Aos 32 minutos, depois de uma série de tentativas falhadas, duas delas impedidas por defesas meritórias do internacional georgiano Makaridze, o Benfica mexe o marcador na Luz. A jogada até começa num passe errado de Sagna, perto do meio-campo. Cervi aproveita a deixa e lança o ataque sem cerimónia, concluído exemplarmente por Pizzi, com um penálti fora da área, sem hipótese para o atarantado Makaridze, apanhado em contra-pé. Entre o 1-0 e o intervalo, o Benfica semeia mais uma vezes o pânico na área contrária e o Moreirense está de cabeça perdida. Daí que três jogadores (Cauê, Nildo mais Sagna) vejam o amarelo por entradas completamente desajustadas.

Na segunda parte, vira o disco e toca o mesmo. O Moreirense não ata nem desata e raramente incomoda Ederson. Verdade seja dita, quando o faz, é competente e obriga o guarda-redes brasileiro a defender duas vezes para canto. Excepção feita a esses lances, o Benfica é o dono da bola. E nem parece ter jogado a meio da semana. A fome é tanta que o Moreirense nem sai do meio-campo. Aos 58′, Pizzi inicia uma jogada normal. Gonçalo prossegue-a, Salvio e Cervi também. De repente, pimbas. Pizzi, 2-0. É o seu primeiro bis desde Dezembro do ano passado, vs. Marítimo. É um fenómeno é o que é. Joga enormidades e é o goleador de serviço do líder do campeonato. Mamma mia, que Pizzi.

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O Moreirense joga mal, sem chama. O Benfica continua acelerado e falha golos em catadupa. Makaridze, vestido com uma vistosa camisola laranja, faz parte do espectáculo com defesas aqui e ali. Só não impede o 3-0 de Raúl Jiménez, na sequência de um veloz contra-ataque do recém-entrado Rafa Silva. Com quase 56 mil espectadores na Luz, o Benfica ultrapassa o problema da ressaca europeia sem dificuldade e mantém a liderança com cinco pontos de avanço sobre o Sporting, entre um azar (Eliseu lesiona-se sozinho aos 15 minutos) e tanta fortuna (Luís Miguel, o maestro-goleador).

Estádio da Luz, em Lisboa
Árbitro: Luís Godinho (Évora)
BENFICA: Ederson; Nélson Semedo, Luisão, Lindelof e Eliseu (André Almeida, 15′); Fejsa, Pizzi, Salvio (Carrillo, 65′) e Cervi; Gonçalo Guedes (Rafa Silva, 84′) e Raúl Jiménez
Treinador: Rui Vitória (português)
MOREIRENSE: Makaridze; Sagna, André Micael, Diego Galo e Rebocho; Neto, Cauê e Geraldes; Podence (Drame, 70′), Roberto (Ramírez, 80′) e Nildo (Jander, 60′)
Treinador: Leandro Mendes (português)
Marcadores: 1-0, Pizzi (32′); 2-0, Pizzi (58′); 3-0, Raúl Jiménez (88′)