O Presidente checo, Milos Zeman, considerou esta quarta-feira, em Lisboa que o Presidente da Síria é “um mal menor” face ao “terrorismo islâmico”, apontando que ninguém considera Bashar al-Assad como ideal.

“A política não é a escolha entre o bom e o melhor, mas é sempre a escolha do mal menor. Eu considero o Presidente Assad um mal menor, [face] ao terrorismo islâmico”, disse o chefe de Estado checo, no final de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no primeiro dia de uma visita de Estado a Portugal, que decorre até esta quinta-feira.

Questionado pela imprensa portuguesa sobre relatos da intensificação dos ataques do regime sírio em Aleppo, na Síria, Milos Zeman afirmou que “ninguém considera o Presidente Assad ideal, mas temos saber o que está contra ele”.

“Os chamados liberais sírios estão nos escritórios de Nova Iorque e Paris, mas não os encontramos nos campos de batalha. Encontramos lá o Estado Islâmico, a al-Qaida ou extremistas islâmicos”, continuou.

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A República Checa mantém em funcionamento uma embaixada em Damasco, capital síria, que o Presidente checo disse ser “uma embaixada eficiente, que exerce um poder protetor”.

“Trata-se de uma potência que protege também os interesses dos Estados Unidos no território sírio. É agradável ser protetor dos Estados Unidos, não faço isso com muita frequência”, ironizou.

O Presidente da República Checa defendeu ainda, em Lisboa, a necessidade de “uma forte reforma” da União Europeia e de ajuda aos países de origem dos refugiados para permitir que as suas populações não procurem a Europa.

“Sobre a crise europeia, devemos admitir que essa crise existe e não fingir que não se passa nada”, disse Milos Zeman, no final de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no primeiro dia da sua visita de Estado a Portugal, que decorre até quinta-feira.

Milos Zeman – que defende a realização de um referendo sobre a permanência da República Checa na União Europeia (UE) e na NATO, apesar de considerar que o país não deve sair do bloco europeu – considerou que se exige “uma mudança e uma forte reforma da UE, de alcance médio”.

O Presidente checo destacou ter concordado com Marcelo Rebelo de Sousa na necessidade de “propor soluções” e disse que os países centro-europeus pequenos devem ter aqui um papel especial.

A decisão do Reino Unido de sair da UE revelou a incapacidade da União Europeia de “enfrentar alguns problemas” e a falta de “uma liderança forte”, considerou o chefe de Estado checo, que apontou ainda “uma certa separação dos cidadãos europeus das ideias da União”.

Milos Zeman adiantou ter, a este respeito, um “pessimismo saudável”, ao contrário do “otimismo” que disse ter encontrado em Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente checo afirmou que a Europa precisa de encontrar uma forma de “defender as suas fronteiras”, uma posição que disse partilhar com o chefe de Estado português, e deve apoiar os países de origem dos migrantes.

“Antes de aceitarmos os migrantes no nosso território, é preciso ajudarmos no território deles”, disse, observando que “as migrações são uma realidade que vai continuar, a longo prazo”.

O Presidente checo deu depois o exemplo dos países africanos, ao afirmar que jovens africanos vêm para a Europa e, “na sua maioria, vivem de apoios sociais”, quando poderiam estar a contribuir para o desenvolvimento dos seus países.

No início das suas declarações, Milos Zeman disse ter felicitado o Presidente português pela eleição de António Guterres como secretário-geral das Nações Unidas, cargo que o antigo primeiro-ministro português assumirá a partir de 01 de janeiro de 2017.

O Presidente checo prossegue esta quarta-feira a sua visita a Portugal com um almoço com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em representação do primeiro-ministro, António Costa, e participa, à noite, num banquete oferecido pelo Presidente português.

Na quinta-feira, o Presidente checo é recebido de manhã no parlamento pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, com quem tem um encontro, e depois participa num fórum empresarial, na sede da Associação Industrial Portuguesa (AIP).

À tarde, encontra-se com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que lhe vai entregar a chave da cidade de Lisboa. Milos Zeman termina esta visita ao lado de Marcelo Rebelo de Sousa no Palácio da Cidadela, em Cascais, onde haverá um concerto, a inauguração da exposição “Carlos IV e a Fé” e um ‘cocktail’.