No sótão da Abadia de Westminster, em Londres, estão guardadas centenas de frágeis tesouros. Avança o jornal The Guardian que entre as preciosidades estão, por exemplo: sapatos tradicionais da Holanda (Dutch clog) e milhares de fragmentos de vidro, tudo com a data da construção da igreja, no século XIII. No caso dos vidros, os fragmentos encontrados foram limpos e guardados, sendo que centenas estão a ser restaurados em janelas que irão fazer parte de uma ponte de vidro que ligará à nova torre que em breve será aberta ao público, a primeira a ser construída naquele monumento emblemático da capital inglesa desde o século XVIII.

O Príncipe Carlos, patrono do projeto, foi esta quarta-feira à Abadia para lançar a primeira pedra da nova torre. O espaço no sótão será transformado num museu chamado “Queen’s Diamond Jubilee Galleries” em honra da Rainha Isabel II.

Os visitantes poderão utilizar tanto o elevador como as escadas para a cúpula e para a torre de vidro. No entanto, quem subir as escadas será recompensado pela vista do telhado de Westminster Abbey. Apesar de ser a maior intervenção na igreja desde que o arquiteto Nicholas Hawksmoor adicionou a fachada em 1745, a nova torre estará praticamente escondida atrás dos arcos e árvores.

Este projeto foi aprovado sem o voto do Conselho de Westminster porque não houve qualquer objeção. De acordo com o Reverendo John Hall, a intenção original seria a de “aproveitar o espaço do sótão como capelas extra para os padres rezarem missas para os mortos”, contudo nunca terá sido usado para nada além de espaço de armazenamento.

Com abertura prevista para 2018, a nova torre será usada para mostrar alguns tesouros da Abadia de Westminster, incluindo um retábulo pintado e cravado com pedras preciosas, que se acredita ter sido construido também no século XIII, para fazer parte do altar-mor da Abadia. A obra contém motivos em forma de estrela, formados por pequenos quadrados — o mesmo tema que o arquiteto Ptolemy Dean adotou como chão na nova torre.

Além desta torre, Dean continua com outro projeto: completar a torre central que Hawksmoor propôs e na qual começou a trabalhar. O projeto parou por causa da coroação de George II e nunca foi recomeçada.