Uma dinamarquesa que lutou no Iraque e na Síria contra o Estado Islâmico pode ser condenada a uma pena de seis meses de prisão por ter violado uma proibição de viajar imposta em setembro do ano passado.

Joanna Palani, de 23 anos, admitiu na semana passada em tribunal que viajou até Doha, no Qatar, em junho deste ano, quando estava proibida de o fazer. Os serviços de segurança da Dinamarca retiraram-lhe o passaporte em setembro de 2015 por considerarem que podia constituir uma ameaça para a segurança do país, uma vez que Palani combateu ao lado das forças curdas no Médio Oriente durante 2014.

O advogado da ex-combatente disse à televisão dinamarquesa DR que Joanna Palani se entregou voluntariamente às autoridades e que, em tribunal, não escondeu a violação à proibição. Erbil Kaya diz-se revoltado pela forma como a Justiça está a tratá-la. “É uma vergonha. Somos o primeiro país no mundo a condenar uma pessoa que lutou do mesmo lado que a coligação internacional”, disse o advogado ao jornal inglês The Guardian.

A Dinamarca tem um programa pioneiro de reintegração de jihadistas na sociedade, o chamado modelo Aarhus, através do qual os combatentes do Estado Islâmico que regressam ao país são acompanhados por conselheiros e psicólogos. Para Erbil Kaya, é contraditório. “É hipócrita condená-la. Porque não punimos as pessoas que lutam pelo Estado Islâmico em vez das que lutam do mesmo lado da Dinamarca? Não faz sentido”, afirmou o advogado.

Joanna Palani esteve pelo menos três vezes em campos de treino das forças curdas e, em 2014, participou no combate contra os jihadistas do Estado Islâmico pela cidade de Kobane, na fronteira entre a Síria e a Turquia. A mulher de 23 anos é filha de pais curdos e nasceu num campo de refugiados no Iraque. Emigrou para a Dinamarca aos três anos.