Uma reunião em Ancara, em que participaram responsáveis da Rússia e da Turquia, produziu um acordo sobre as condições para um cessar-fogo na Síria. A notícia foi avançada pelos jornais oficias turcos e reproduzida pela Associated Press, mas ainda não existe uma confirmação oficial. Entretanto, fontes rebeldes garantiram à Agence France Press (AFP) que não existe qualquer acordo.

O anfitrião do encontro foi o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Mevlüt Çavuşoğlu, e frente a frente estiveram a oposição síria e representantes do regime de Al-Assad. O objetivo, segundo agências noticiosas russas, era encontrar uma solução “permanente” para a crise na Síria.

Segundo a agência pró-turca Anadolu, o cessar-fogo deveria entrar em vigor após a meia-noite (21 horas em Lisboa). Não se especifica de onde vem a informação.

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Mas os rebeldes sírios, parte interessada nas negociações, têm outra posição. Independentemente da discussão em Ancara e dos resultados que tenha produzido, enquanto as forças insurgentes sírias não analisarem a proposta das autoridades nacionais não há acordo. “As fações armadas revolucionárias não receberam qualquer proposta oficial para um cessar-fogo na Síria“, esclareceu Labib Nahhas, responsável pelas relações externas do grupo rebelde Ahrar a-Sham, citado pela AFP. Portanto, acrescentou, “as notícias que dão conta da aprovação do cessar-fogo por parte deste grupo são incorretas”.

Caso o acordo vingue e a trégua seja respeitada, o regime de Bashar Al-Assad compromete-se a iniciar negociações com a oposição em Astana, no Cazaquistão, sob a mediação da Rússia e da Turquia.

Segundo o acordo, as negociações contam com a presença de todas as forças da oposição a Damasco, exceto os grupos considerados terroristas.

Neste sentido, as organizações políticas curdas: PYD, Partido da União Democrática e as Unidades de Proteção do Povo, que combatem os extremistas do Estado Islâmico, no norte da Síria, podem ser excluídos das negociações por serem apontados como terroristas pelo governo de Ancara.

A Rússia, o Irão e a Turquia tinham dito na semana passada, depois de uma reunião em Moscovo, que estavam prontos para mediar as conversações para um acordo de paz.