Sempre que alguém deteta um vírus no computador, existe uma outra pessoa que costuma dizer “Que sites andaste a ver?”, insinuando que o utilizador visitou uns quantos sites atrevidos. A verdade, segundo o The Next Web, é que os sites pornográficos têm feito um grande esforço para limparem essa ideia, conseguindo alguns ser já muito seguros.

Podem chegar às dezenas de milhares de milhões os vídeos com conteúdo adulto visualizados num único site pornográfico, portanto é normal que a segurança seja uma preocupação. Segundo Marcin Kleczynski, diretor executivo da Malwarebytes, “os sites pornográficos levam a segurança a sério. Os tempos de resposta a um ataque são significativamente melhores do que os de outros sites”. Mas não é só no tempo de resposta a ataques diretos que as empresas da industria têm apostado.

Publicidade perigosa

A publicidade que abunda nos sites para adultos é, muitas vezes, responsável por redirecionar o utilizador para locais infetados com software malicioso.

No ano passado, um dos maiores sites pornográficos – PornHub – foi atacado por um malware (programa infetado) que colocava em risco os 800 milhões de utilizadores mensais que o site possui. O ataque estava a ser feito através de publicidade maliciosa que levavam o utilizador a fazer o download de um determinado tipo de ransomware diretamente para o dispositivo pessoal.

Por causa de ataques semelhantes a este, as empresas estão a tomar precauções para protegerem os utilizadores. Segundo Kleczynski, “quase metade das empresas com as quais trabalhamos são responsáveis por sites pornográficos”.

Contudo, segundo o The Next Web, uma pesquisa por “iPhone” ou “Super Bowl” pode mais facilmente levar o utilizador a um site infetado do que quando acede a um site com conteúdo pornográfico, tudo por causa da publicidade infetada que chega a esses locais.

A segurança do HTTPS

Existe na Internet um protocolo chamado Hypertext Transfer Protocol Secure (HTTPS) que é responsável por proteger a integridade e a confidencialidade dos dados dos utilizadores. Normalmente esta informação surge na barra de endereço do site que estamos a visitar.

O xHamster é um dos sites pornográficos mais visitado do mundo e, recentemente, passaram a ter o certificado HTTPS. Com este passo, o site garante um maior nível de segurança aos utilizadores, um caminho que está a ser adotado por alguns destes sites.

O que poderá ter desencadeado uma preocupação extra com este assunto (apesar de ainda não estar implementada em muitos locais) foi o facto de a Google ter “atacado” cerca de 100 domínios, que não pertencem à gigante tecnológica, por não estarem encriptados por defeito ou não utilizarem uma criptografia moderna. Atualmente, apenas o Bongacams, Chaturbate e o xHamster foram aprovados. Outros sites como o YouPorn, o RedTube, o Pornhub, o xvideos e o xnxx não cumprem nenhum dos três critérios da Google.

Quem é que quer saber o que andou a ver na Internet?

Alguns utilizadores ficam preocupados por pensarem que os sites pornográficos acedem aos dados de navegação. Na verdade, eles não podiam querer saber menos sobre o que cada pessoa pesquisou.

Uma analise levada a cabo pela Universidade de Princeton, que pretendia determinar quais os sites mais prováveis de acederem ao histórico de pesquisas do utilizador, surpreendentemente (ou não) indicou que os sites de notícias, de artes e de desporto são os que ocupam o pódio desta lista.

Em média, cada site com conteúdo informativo, possui cerca de 25 itens de tracking enquanto que os sites de pornografia têm, em média, apenas 10. Ou seja, existe um controlo maior dos locais que visitou na Internet quando acede a um site informativo, comparativamente com as páginas com conteúdos para adultos.