A exposição “José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”, que é inaugurada esta quinta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, revela em 400 obras o trabalho de um artista “cujos olhos mostraram o século XX”. O próprio Almada Negreiros (1893-1970) admitia que os seus olhos eram grandes, “e tornaram-se uma metáfora para a condição do artista que tem de olhar para o mundo”, disse uma das comissárias da exposição, Mariana Pinto dos Santos, numa visita guiada aos jornalistas.

Através deles, da sua sensibilidade e do seu talento, o artista criou uma obra que percorreu múltiplas áreas, desde a pintura, o desenho e a ilustração, à dança e ao teatro, à literatura, com o romance e a poesia, sem esquecer as narrativas gráficas, que estão amplamente representadas nesta retrospetiva que demorou três anos a preparar. “Os meus olhos não são meus, são os olhos do nosso século”, palavras recordadas na exposição dedicada a um dos artistas mais ativos e completos do modernismo português, que “tentou fixar uma linguagem universal”.

A retrospetiva é apresentada pela Gulbenkian, 25 anos após a última grande mostra, e todos os oito núcleos temáticos reúnem obras inéditas, ou que nunca foram apresentadas fora das coleções onde se encontram.