O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse esta segunda-feira em Bruxelas que o Governo tenciona reabrir a embaixada de Portugal na Líbia, mas considera que ainda não estão reunidas as condições de segurança, pelo que ainda não há uma data prevista.

Depois de, no domingo, o enviado especial das Nações Unidas para a Líbia, Martin Bobler, ter anunciado que a ONU vai regressar “muito em breve” a Trípoli e de ter pedido aos países europeus para fazer o mesmo e reabrirem as embaixadas nesta capital, Augusto Santos Silva indicou esta segunda-feira que, efetivamente, “o Governo português tem a intenção de reabrir a sua embaixada na Líbia logo que as condições o permitirem”, o que considera não ser ainda o caso.

Ainda não estão reunidas as condições de segurança e, portanto, a reabertura ainda não tem uma data prevista”, declarou, numa conferência de imprensa após uma reunião dos chefes de diplomacia da União Europeia.

Santos Silva lembrou que neste momento é o “embaixador em Tunes que ao mesmo tempo representa Portugal junto das autoridades líbias” e sublinhou os contributos de Portugal para o processo de estabilização na Líbia, levados a cabo no âmbito da União Europeia.

O nosso esforço principal no que diz respeito à estabilização da situação na Líbia tem sido a nossa participação, no quadro da União Europeia, nos esforços para formar a guarda-costeira líbia e, também no quadro da União Europeia, a nossa participação na operação Sophia, a qual apoiamos financeiramente e através de meios militares. Em 2017 empenharemos um submarino e um avião nessa operação”, apontou.

Numa entrevista concedida no domingo à agência EFE na capital da Tunísia, o enviado especial da ONU considerou que a reabertura das representações diplomáticas dos países europeus seria um gesto para as pessoas que sofrem e um sinal que contribuiria para incentivar o processo de paz e reconstrução.

No entanto, o diplomata alemão admitiu que existem problemas de segurança no país, onde não há uma autoridade policial unificada e a lei é imposta por milícias que controlam os seus distritos.

Reconhecendo também que há graves problemas de abastecimento, principalmente de eletricidade (em algumas áreas os cortes ultrapassam as 18 horas), água e outros serviços básicos, insistiu todavia que a situação melhorou nos últimos meses.