Para quem se interessa pelos ingredientes dos cosméticos que usa, entender o que são e para que servem pode não ser um trabalho simples mas é importante para perceber o que se anda a colocar na pele. Já demos uma ajuda ao explicar quais são os principais ingredientes anti-idade mas há dois palavrões comuns nos produtos de beleza – desde a pasta de dentes ao champô – que o comum dos mortais não entende o que são, nem porque é tão importante estar referida a sua ausência.

Siglas como “sulfate-free” (sem sulfatos) ou “paraben-free” (sem parabenos) são cada vez mais destacadas nas embalagens dos produtos, mas sabe realmente porque é que evitar estes dois componentes é tão importante?

O que são parabenos?

Os conservantes químicos normalmente conhecidos como parabenos existem na indústria da beleza há mais de 50 anos e são utilizados maioritariamente para preservar e prolongar a validade dos produtos desde champôs a desodorizantes, passando por cremes e maquilhagem. Explicando de forma simples, são químicos que combatem bactérias que possam contaminar os cosméticos com o passar do tempo.

Qual é a controvérsia em seu redor?

Há uns anos foram conduzidos estudos em pessoas com cancro e verificou-se que 90 por cento dos casos analisados com cancro de mama tinha, na sua pele, restos de parabenos. Na verdade, a maioria das coisas que consumimos tem parabenos e outros estudos mostraram que o corpo consegue absorver e expulsá-los do organismo mas, quando os usamos de forma externa sobre a pele, a sua eliminação já não é tão fácil. Harold Lancer, famoso dermatologista, chegou a dizer ao site Coveteur que esta é uma polémica infundada porque os parabenos são seguros. Embora estes estudos não tenham sido conclusivos, muitas marcas começaram a abolir o seu uso.

O que são sulfatos?

Explicando de forma simples, o sulfato é uma espécie de sal com ácido gordo que se torna um agente eficaz na limpeza sendo, por isso comum encontrá-lo em champôs, pasta de dentes e produtos de limpeza corporal.

Qual é a controvérsia em seu redor?

Os sulfatos tendem a ter má reputação porque vários estudos demonstraram que podem danificar as proteínas, o que pode levar a um efeito degenerativo nas células. Dando um exemplo, no cabelo podem tirar os óleos naturais dos fios tornando-os ásperos, secos e quebradiços. Outros estudos também relacionaram os sulfatos com o cancro mas não foram tidos como conclusivos. A organização Cosmetic Ingredient Review diz que os sulfatos são seguros até uma concentração de 50 por cento mas muitas marcas deixaram simplesmente de os utilizar.

Em que ficamos?

Mais do que radicais, as marcas estão cada vez mais a apostar em produtos à base de plantas e livres de químicos. Palavras como “orgânico” ou “natural” tornaram-se comuns e significam que está a usar produtos livres de ingredientes sintéticos ou químicos. Como defendia Cyrille Telinge , dos laboratórios franceses Novexpert, numa entrevista dada em maio de 2016 ao Observador, “há publicações científicas que mostram que os químicos provenientes dos cremes penetram na pele e podem ser visíveis na urina e no sangue. A questão que fica é: isto faz bem? Faz mal? Ninguém sabe. E se temos mais perguntas do que respostas, o melhor talvez seja evitá-los.”

Para quem não gosta de ler as bulas dos produtos ou as suas características nos sites, os que são livres costumam ter logo destacado o chavão “sem parabenos nem sulfatos”. Mas, por vezes, é preciso mesmo ler com atenção. Dos sulfatos não há como enganar porque, se os tiverem, será um dos primeiros ingredientes a ser listado. Com os parabenos já pode ser mais difícil porque podem vir com outros nomes como Metil, Propil, Butil, Etilparabeno ou até “Alkyl parahydroxy benzoates”.