Rádio Observador

Cosméticos

Sem parabenos nem sulfatos. Afinal, o que é que isto significa?

São dois químicos polémicos e dos quais muitas marcas de cosméticos já se assumem como livres. Mas sabe realmente porque é que é tão importante evitá-los?

Não é preciso perder muito tempo a ler bulas porque os produtos que são livres costumam ter logo destacado o chavão "sem parabenos nem sulfatos".

Getty Images/iStockphoto

Autor
  • Helena Magalhães

Para quem se interessa pelos ingredientes dos cosméticos que usa, entender o que são e para que servem pode não ser um trabalho simples mas é importante para perceber o que se anda a colocar na pele. Já demos uma ajuda ao explicar quais são os principais ingredientes anti-idade mas há dois palavrões comuns nos produtos de beleza – desde a pasta de dentes ao champô – que o comum dos mortais não entende o que são, nem porque é tão importante estar referida a sua ausência.

Siglas como “sulfate-free” (sem sulfatos) ou “paraben-free” (sem parabenos) são cada vez mais destacadas nas embalagens dos produtos, mas sabe realmente porque é que evitar estes dois componentes é tão importante?

O que são parabenos?

Os conservantes químicos normalmente conhecidos como parabenos existem na indústria da beleza há mais de 50 anos e são utilizados maioritariamente para preservar e prolongar a validade dos produtos desde champôs a desodorizantes, passando por cremes e maquilhagem. Explicando de forma simples, são químicos que combatem bactérias que possam contaminar os cosméticos com o passar do tempo.

Qual é a controvérsia em seu redor?

Há uns anos foram conduzidos estudos em pessoas com cancro e verificou-se que 90 por cento dos casos analisados com cancro de mama tinha, na sua pele, restos de parabenos. Na verdade, a maioria das coisas que consumimos tem parabenos e outros estudos mostraram que o corpo consegue absorver e expulsá-los do organismo mas, quando os usamos de forma externa sobre a pele, a sua eliminação já não é tão fácil. Harold Lancer, famoso dermatologista, chegou a dizer ao site Coveteur que esta é uma polémica infundada porque os parabenos são seguros. Embora estes estudos não tenham sido conclusivos, muitas marcas começaram a abolir o seu uso.

O que são sulfatos?

Explicando de forma simples, o sulfato é uma espécie de sal com ácido gordo que se torna um agente eficaz na limpeza sendo, por isso comum encontrá-lo em champôs, pasta de dentes e produtos de limpeza corporal.

Qual é a controvérsia em seu redor?

Os sulfatos tendem a ter má reputação porque vários estudos demonstraram que podem danificar as proteínas, o que pode levar a um efeito degenerativo nas células. Dando um exemplo, no cabelo podem tirar os óleos naturais dos fios tornando-os ásperos, secos e quebradiços. Outros estudos também relacionaram os sulfatos com o cancro mas não foram tidos como conclusivos. A organização Cosmetic Ingredient Review diz que os sulfatos são seguros até uma concentração de 50 por cento mas muitas marcas deixaram simplesmente de os utilizar.

Em que ficamos?

Mais do que radicais, as marcas estão cada vez mais a apostar em produtos à base de plantas e livres de químicos. Palavras como “orgânico” ou “natural” tornaram-se comuns e significam que está a usar produtos livres de ingredientes sintéticos ou químicos. Como defendia Cyrille Telinge , dos laboratórios franceses Novexpert, numa entrevista dada em maio de 2016 ao Observador, “há publicações científicas que mostram que os químicos provenientes dos cremes penetram na pele e podem ser visíveis na urina e no sangue. A questão que fica é: isto faz bem? Faz mal? Ninguém sabe. E se temos mais perguntas do que respostas, o melhor talvez seja evitá-los.”

Para quem não gosta de ler as bulas dos produtos ou as suas características nos sites, os que são livres costumam ter logo destacado o chavão “sem parabenos nem sulfatos”. Mas, por vezes, é preciso mesmo ler com atenção. Dos sulfatos não há como enganar porque, se os tiverem, será um dos primeiros ingredientes a ser listado. Com os parabenos já pode ser mais difícil porque podem vir com outros nomes como Metil, Propil, Butil, Etilparabeno ou até “Alkyl parahydroxy benzoates”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)