A primeira experiência nuclear chamava-se ‘Trinity’ e aconteceu no meio do deserto do Novo México a 16 de julho de 1945. Mostrou que a bomba atómica de plutónio funcionava. Apenas um mês depois, a 9 de agosto de 1945, uma bomba semelhante era usada a sério e destruiria a cidade de Nagasaki. Agora, após análise desses primeiros resíduos é possível explicar a formação da Lua, conta o jornal espanhol ABC.

Explosão da bomba nuclear

A explosão causada pela ‘Trinity’ iluminou as montanhas do deserto por cerca de dois segundos. A sua luz, conta o ABC, era em tons roxos, verdes e brancos, numa nuvem semelhante à forma de um cogumelo, que atingiu 12 quilómetros de altura. As suas ondas de choque puderam ser sentidas a cerca de 160 quilómetros de distância. Na zona da explosão criou-se uma cratera de cerca de três metros de profundidade e 330 de largura.

A areia do deserto, por sua vez, derreteu e transformou-se em vidro verde claro, que ficou conhecido como ‘trinitite’.

Trinitite

A cratera criada pela explosão voltou a ser preenchida, sendo que nela se pode ver agora um monólito (estrutura geológica constituída por uma única e maciça pedra ou rocha) que faz lembrar a história daquele local. Em 1975 a zona foi declarada como sendo um marco histórico nacional.

Agora, num estudo publicado na Science Advances quarta-feira, assinada por cientistas da Universidade da Califórnia, San Diego, Estados Unidos, conta-se que foram encontrados minerais na Trinitite que explicam como é que a Lua se formou, há 4 mil e 500 milhões de anos.

James Day, conta o ABC, é o primeiro autor do estudo e foi responsável por analisar a composição deste vidro verde, encontrado em vários locais próximos da explosão – entre 30 e 250 metros do epicentro. Com a análise da trinitite, os cientistas conseguiram reconstruir a formação destes materiais radioativos, no momento da detonação da explosão. Para que tal fosse possível, mediram a presença de certos elementos específicos nos cristais criados.

A primeira conclusão a que os cientistas chegaram, ao analisar os cristais, é que as trinitites encontradas mais próximas do epicentro eram pobres em elementos como o zinco – elemento que se evapora em altas temperaturas. Os poucos átomos de zinco encontrados nas pedras junto ao epicentro eram, por sua vez, mais carregados de isótopos, que são átomos com a mesma propriedade do zinco mas com um número de neutrões diferente, mais pesado.

“Os resultados obtidos mostram-nos que a evaporação a altas temperaturas, semelhantes às que acontecem nas primeiras etapas de formação dos planetas, resulta numa evaporação [perda] de alguns elementos voláteis. Isto já era algo que suspeitávamos mas que não tínhamos provas experimentais que o pudessem confirmar”, explicou James Day.

Os cientistas conseguiram provar assim o que até então era uma mera hipótese. Já há vários anos que se sugere que a Lua se formou através de reações semelhantes às destes minerais: um grande impacto. Com estes testes, a teoria de que um planeta semelhante a Marte [em tamanho], o conhecido ‘Theia’, tenha efetivamente colidido com a terra, há cerca de 4 mil e 500 milhões de anos e que, com este impacto, a Lua foi criada.

“Hipótese do grande impacto” – Google

O impacto entre a Terra e o planeta Theia,aumentou a temperatura das rochas para níveis idênticos aos causados aquando a formação das trinitites. E foi esta mesma semelhança que os cientistas do estudo encontrarem entre as trinitites e as rochas lunares: ambas são pobres em elementos voláteis e contém pouca água.

Em suma, estes novos dados apoiam, de forma testada, a hipótese do ‘grande impacto’, [Big Splash] sobre a formação da Lua.