Hoje é um péssimo dia para os walkers invadirem Lisboa. Rick, Daryl e Negan andam por aí. Ou seja, Andrew Lincoln, Norman Reedus e Jeffrey Dean Morgan encontram-se na capital portuguesa, juntamente com Greg Nicotero (produtor executivo de The Walking Dead e o pai do look dos walkers que há sete anos aterrorizam os ecrãs). Os quatro estarão hoje no Teatro Tivoli BBVA pelas 18:30 para responder a perguntas dos fãs sobre a série de televisão mais vista em Portugal. O evento faz parte de uma digressão europeia (TWD Euro Tour) que inclui paragens em Londres, Madrid, Munique, Amesterdão e Varsóvia.

Se o mundo enfrentasse o apocalipse da série, ele estaria em boas mãos com gente como Rick, Daryl e Negan para tratar da limpeza. Numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira de manhã no Hotel Ritz (no qual estiveram todos presentes exceto Andrew Lincoln), deu para perceber que parte do sucesso da série advém do bom ambiente que se vive nos bastidores. Bom ambiente talvez seja pouco para descrever o entusiasmo com que os atores falam do processo, é algo próximo do familiar. Parece existir uma união entre todos e uma clara noção de que quanto menos souberem sobre o futuro da série, melhor.

Por isso, não houve de spoilers nesta conferência de imprensa. Isso já era de esperar. Mas deu para entender que, apesar das rivalidades no ecrã, há um forte entendimento entre os atores e a noção de que todos trabalham para o mesmo. Jeffrey Dean Morgan, que interpreta o infame Negan, e que entrou no elenco durante a sexta temporada (e tem um papel preponderante na sétima, que está agora a ser transmitida), confessa que quando entrou na série não pensou nas expectativas que poderiam existir em volta da sua personagem. E, claro, no enorme peso que iria ter em cima. Um recém-chegado iria matar algumas das personagens queridas dos fãs e, também, eliminar daquele ambiente familiar atores que há muito tempo faziam parte do grupo.

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É um grande peso, mas não parece preocupado com isso. Ele percebe que é um vilão na narrativa da série, mas no contexto do mundo criado por Robert Kirkman é apenas mais um tipo, com um passado bastante banal (a sua personagem era um professor de Educação Física, especializado em ping pong) que tem de fazer o necessário para sobreviver. Norman Reedus também sente isso, percebe-se através da sua comunicação com Jeffrey, e com os jornalistas presentes, que a fronteira entre o bem e o mal em The Walking Dead é uma questão de narrativa para o espetador. Todos desempenham o seu papel e a preocupação das suas personagens é sobreviver naquele mundo.

Greg Nicotero remata essa ideia com uma referência ao episódio que passou em Portugal na passada segunda-feira, quando Michonne (Danai Gurira) diz a Rick, ao olhar para um parque de diversões abandonado, que este é o mundo que agora existe, de que todos podem continuar a existir e reencontrar aquilo que foi perdido. Apesar de tudo o que aconteceu ser maior do que eles, o mundo pode continuar. É esse olhar para o amanhã, muitas vezes um amanhã relativo, de sobrevivência, por vezes um de futuro longínquo, que mantém a série viva ao longo destes anos. É um olhar de esperança, contínuo, mesmo que as tramas da ficção, principalmente na televisão, por vezes obriguem a pensar num fim.

O que está errado em “Walking Dead”?

Os dois atores presentes, rivais no pequeno ecrã, confessam que gostam da interação/relação entre as suas duas personagens. A dado momento Jeffrey Dean Morgan até diz que gostaria de ser Daryl (claro, quem não gostaria de disparar uma besta?) e que a sua personagem, Negan, vê Daryl como um desafio, alguém que lhe pode fazer frente, que por ser como um animal não domesticado o torna num rival perfeito para a sua personagem.

Rivalidade é coisa que não existe entre os dois atores. Ambos confessam que se tivessem que escolher um parceiro para esta aventura, se tudo começasse agora, optariam por Rick (Andrew Lincoln). Afinal, ele é como a mãe do grupo. Norman Reedus diz que ele e Lincoln estão frequentemente a pregar partidas um ao outro. Fala de quando Lincoln colocou a sua mota dentro de um barco no meio de um rio e da resposta: encheu o atrelado de Lincoln com galinhas.

É este tipo de histórias e de boa disposição que se poderá ver mais logo no Teatro Tivoli BBVA. A entrada será gratuita e os bilhetes começaram a ser distribuídos pelas 16h30, na abertura de portas. É uma boa oportunidade para ficar a conhecer algumas das histórias por detrás de alguns momentos mais marcantes de uma das séries de maior sucesso na atualidade. Os walkers não serão bem-vindos.